Os gatilhos que puxaram a recente volatilidade: gestoras internacionais continuam a comentar


A culpa do que está acontecer nos mercados financeiros, e principalmente na China, não está "a morrer solteira". Os diversos especialistas das casas internacionais também não deixam propriamente que isso aconteça.

Numa conference call realizada esta segunda-feira, Matthew Sutherland, head of product management – Asia, e Katsumi Ishibashi, senior credit analyst, de obrigações, ambos da Fidelity, referiam precisamente que a volatilidade que se tem sentido ultimamente nada tem que ver com um possível abrandamento da China.

“O mercado chinês é conduzido pelos investidores de retalho, e pelo seu sentimento. Temos assistido a subidas de 119%, depois a quedas de 43%, seguindo-se uma nova subida de 28%, e, posteriormente quedas de 13%...e nenhum destes movimentos teve que ver com a economia subjacente. Os investidores do mercado de ações classe A chinês não têm um grande conhecimento sobre esta nova debilidade da atual economia chinesa”, referiam. Se na altura em que a capitalização bolsista deste mercado de ações quase que duplicou ninguém associou esse facto a nenhum dado "fantástico" em específico, agora, que o contrário está a suceder, “também ninguém pode relacionar a fraqueza deste mercado de ações com os fundamentais”.

Um passo importante, dizem da Fidelity, é que a bolha das ações classe A comece a esvaziar“Esse processo está claramente a acontecer, mas ainda não por completo”, clarificavam.

Desvalorização da moeda: o busílis da questão

Keith Wade, chief economist & Strategist da Schroders, por seu turno, tem bem claro, também, que o assunto crítico na China não é a bolsa, mas sim a moeda. “A decisão da China de desvalorizar o yuan face ao dólar marca uma significativa mudança nas relações cambiais mundiais e pode ser vista como uma nova frente nas guerras cambiais. Isto está a ter impacto nos mercados em termos globais”, diz.

Na opinião dos especialistas da Fidelity, “a desvalorização do yuan tem sido um consenso para 2016 dado o abrandamento estrutural da China, devido à saída de capitais em curso”. No entanto, a recente volatilidade foi puxada por um gatilho distinto: “A falta de comunicação entre as autoridades e o mercado no que toca à passagem de uma fraca ligação cambial ao dólar, para uma abordagem de inclusão no cabaz de divisas do FMI”.

Como recordam da entidade, no passado mês de agosto o  PBOC mudou o seu mecanismo de fixação diária da taxa de referência da moeda, para um mecanismo mais alinhado com o nível de mercado. Por esta altura "estão a mudar gradualmente da referência fixa para a dos cabazes de divisas, principalmente tendo como referência o dólar”.

Perspetivas de mais uma depreciação

Na opinão da Fidelity, não há que pôr de parte mais um movimento de depreciação da moeda chinesa, embora não acreditem que “haja mais a fazer no que toca à melhoria das condições de negociação”. “Acreditamos que eles estão genuinamente a dirigir o yuan para uma moeda de mercado”.

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