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“Os fundos de infraestruturas olham cada vez mais para ativos portugueses”


No início de outubro, Teresa Empis Falcão, Of Counsel na área de Projectos  - Infraestruturas, Energia & Recursos Naturais da Vieira de Almeida & Associados, foi uma das oradoras convidadas a estar no evento levado a cabo em Paris subordinado ao tema do financiamento de infraestruturas europeias. Reunindo vários players de mercado da área, o “European Infrastructure Finance Summit Paris 2014” foi lugar de debate sobre quais as oportunidades que estão a emergir numa região que está a sofrer claras mudanças.

“Os fundos de infraestruturas, tradicionalmente, apenas olhavam para a Europa Central e para a Europa do Norte. Ora, atualmente e tendo em conta os preços que se praticam nestas regiões – que são bastante elevados – muitos dos investidores já demonstram algum apetite por países considerados mais ‘risky’, como é o caso de Espanha e Portugal. Com “os olhos” postos em projetos de imobiliário e de infraestruturas nacionais, Teresa Empis Falcão aponta nomes específicos ao nível das gestoras de ativos internacionais: Meridiam, Brookfield Asset Management, First State Investments ou Ardian, são algumas das casas que têm demonstrado um “apetite” efetivo por ativos portugueses.

À procura de solidez

Ainda que o interesse exista, a advogada da Vieira de Almeida denota um problema de dimensão no mercado português. “Os fundos maiores estão muitas vezes interessados em projetos de um tamanho que não existe em Portugal. Não temos assim tantos negócios de infraestrutura que estejam acima do nível dos 200 milhões de euros de investimento”. Para resolver esta lacuna do mercado, a profissional sugere o agrupamento dos ativos de infraestruturas em portfólios. “Se um ativo isolado não tem interesse, ao juntar vários ativos no mesmo “pacote” ganha-se uma dimensão bastante mais atrativa para os fundos”, diz, referindo que “o repackaging em termos de portfólio é uma forma de conseguir elegibilidade para estes fundos de infraestruturas”.

Especificamente sobre Portugal, Teresa Empis Falcão acredita que os investidores internacionais não temem o “risco-país”, desde que entendam que, por um lado, o ativo tem valor suficiente e, por outro, que existe “alguma estabilidade no país em termos da regulação e legislação referente às infraestruturas”.

A dar os primeiros passos

Apesar do interesse crescente no mercado nacional, o investimento que os fundos estrangeiros fazem nas infraestruturas portuguesas ainda é incipiente. “Nesta área os fundos estão interessados em ativos já maduros, em que existe um historial de receitas e de operação bem sucedidas”, indica. No caso dos fundos de pensões, que também fizeram parte do lote de entidades presentes na conferência ,Teresa Empis Falcão destaca que “o tema da rentabilidade é para eles altamente importante, numa lógica de que deve existir previsibilidade e uma rentabilidade mínima e razoável”.

Noutras áreas, no entanto, a profissional recorda que têm sido dados passos muito relevantes nos tempos mais recentes, como é o caso das privatizações da ANA ou dos CTT ou da venda da Tranquilidade, onde os fundos de investimento apareceram na corrida aos negócios.

Atualmente, Teresa Empis Falcão vê oportunidades em diferentes ativos nacionais que podem satisfazer as necessidades dos fundos de infraestruturas. Concretiza e refere que se vai começar a assistir ao interesse destas entidades em áreas como “as estradas, a energia - particularmente nas renováveis eólicas - bem como nos portos, por causa dos planos de expansão dessas estruturas”.

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