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Os fluxos em direção aos ETP de ações norte-americanos quintuplicaram em setembro


O bom investidor tem noção de que um ativo que lhe agrade, mas que por ventura está caro, perante vendas massivas, o que para os outros pode ser um começo do pânico, para ele é um sinal de compra. É isto que explica o ETP Landscape da BlackRock correspondente ao mês de setembro: os produtos cotados de ações norte-americanas registaram no mês passado fluxos cinco vezes superiores aos de agosto, chegando aos 11.200 milhões de dólares. Da entidade indicam que os fluxos foram irregulares, já que se concentraram nos dias prévios à reunião do Comité de Mercado Aberto (FOMC, nas siglas em inglês) e depois perderam fôlego no resto do mês.

Para além disso também se assistiram a subscrições em ETP de ações japonesas (6.200 milhões) e de ações pan-europeias, embora neste último caso a um ritmo inferior ao de meses anteriores: 2.800 milhões de dólares face aos 4.600 milhões vistos em agosto. Por outro lado, os produtos que investem em ações emergentes perderam 3.200 milhões devido ao impacto negativo continuado das más notícias na China e noutros países asiáticos. “Temos detectado um aumento do interesse em estratégias de mínima volatilidade centradas nos mercados emergentes, o que poderá representar um sinal premonitório de que os clientes querem recuperar a exposição a esta temática, com uma certa proteção face às quedas”, comenta a esse nível. Ursula Marchioni, diretora de estratégia da iShares para EMEA. Segundo a especialista “as saídas registadas no terceiro trimestre nesta categoria continuam a ser notáveis e, embora possa ser demasiado cedo para determinar que os mercados emergentes alcançaram mínimos, devemos manter-nos alerta”. 

“Ao comparar o volume de investimento em ETPs europeus e mundiais, descobrimos um robusto dinamismo continuado à escala mundial, e não entre os investidores europeus”, assinala sobre estas tendências Marchioni. Para a entidade “o motivo principal de tal divergência de investimento radica na decisão da Fed de atrasar a subida das taxas na sua reunião do FOMC de setembro”. “Esta decisão levou os investidores norte-americanos a apostar no seu próprio mercado de ações, contrariamente ao que acontece na Europa, onde o BCE se encontra numa fase muito diferente”, acrescenta.

Conjuntamente, o investimento mundial em ETP alcançou no mês passado os 28.400 milhões de dólares, elevando o total anual até aos 230.000 milhões. No entanto, da entidade indicam que o crescimento veio pela mão não das entradas em ações, mas sim “dos melhores fluxos nas obrigações desde fevereiro, aquando da decisão da Fed de não mudar as taxas de juro”. Em concreto, os ETP que investem em ativos de dívida atraíram 11.600 milhões de dólares, dirigindo-se quase metade dos fluxos para produtos de curto prazo. Tendo em conta todos estes dados, da BlackRock afirmam que “o sector continua encaminhado a registar um ano histórico”.

O sector tem sofrido mudanças importantes nos últimos anos mas a sua evolução tem sido magnífica. Não nos podemos esquecer que até há poucos anos cerca de 20% dos investidores institucionais utilizavam os ETF para períodos de mais de seis meses e agora, essa tendência aumentou notavelmente. 80% das gestoras, fundos de pensões e seguradoras mantêm-nos em carteira durante mais tempo”, indica por seu lado Aitor Jáuregui, responsável de desenvolvimento de negócio da BlackRock para Portugal, Espanha e Andorra. 

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