Os “bons reflexos” de Mario Draghi


Os indícios tinham sido deixados no ar aquando da reunião de Jackson Hole, e agora, apesar da surpresa de uns, e a pouca admiração de outros, Mario Draghi avançou mesmo com mais um corte histórico da taxa de juro – para os 0,05% - anunciando ainda um programa de compra de ativos, agendado já para o próximo mês de outubro.

“Super Mario” enfrenta obstáculos e reage

Decidido a estimular o crédito à economia e empenhado na redução do desemprego – foi com estas justificações que Mario Draghi, “se apresentou” na conferência de imprensa levada a cabo depois do anúncio. Na opinião de Gonçalo Pereira Coutinho, CEO do Grupo Patris, “as medidas hoje anunciadas pelo Banco Central Europeu mostraram a capacidade do Banco para reagir rapidamente aos sinais de deterioração na economia da Zona Euro observados durante os meses de Julho e Agosto (bem visível na evolução dos diversos indicadores de sentimento)”.

Raul Marques, presidente da Banif Gestão de Activos -  e ainda antes de ouvir as justificações de Mario Draghi em conferência de imprensa – comentava que “esta decisão evidencia a vontade do BCE de prosseguir com a introdução de mais estímulos, por forma a minimizar os riscos de deflação, e também promover a reanimação da actividade económica na Zona euro".

Efeitos esperados

O líder da Patris, por outro lado, acrescenta que apesar do impacto em termos económicos destas medidas ainda ser incerto, há que considerar, por um lado, “o efeito da continuação da queda do euro (via diferencial taxas de juro, após mais um corte nas taxas de juro de referência, e aumento da dimensão do balanço do BCE, via compra de títulos ABS e programas TLTROs)” e, por outro, “o efeito de menores taxas de juro, bem visível hoje na continuação da descida das taxas de juro de mercado para a dívida soberana dos países periféricos da Zona Euro”.

Na opinião de Gonçalo Pereira Coutinho, outro ponto a realçar é que “o BCE voltou a não desapontar as expectativas do mercado (criadas após as palavras de Mario Draghi em Jackson Hole)”, o que é demonstrativo “da determinação para “fazer mais” se assim se revelar necessário”.

Sinal importante para os agentes económicos

Também Rui Bárbara, da gestão de ativos do Banco Carregosa, realça que a decisão em si de cortar as taxas “tem um efeito direto negligente na economia real, pelo facto de ser uma redução de taxas extremamente pequena em termos absolutos”. Por outro lado, o profissional destaca que este “é, no entanto, um sinalizador importante para os agentes económicos, especialmente se visto em conjunto com as medidas não convencionais também abordadas, de que existe uma forte resolução por parte do BCE, de não deixar que um cenário deflacionista (semelhante ao Japão) se instale na zona Euro”, diz, lembrando que “em termos de medidas não convencionais, o BCE declarou a sua intenção de lançar um programa de compra de dívida titularizada (ABS e covered bonds), coincidente com a sua próxima reunião mensal em Outubro”.

Mais uma vez também Rui Bárbara assinala que o objectivo “é fazer com que o crédito na zona euro comece a fluir (em especial para as pequenas e médias empresas)”, já que “a falta de crescimento no crédito na zona euro, é um dos principais fatores que tem contribuído para a fraca recuperação do PIB na zona euro”. Conclui dizendo que “o BCE veio recentemente demonstrar a sua preocupação, com a perda de momentum por parte da economia da zona euro, bem como a sua determinação em combater esta situação, mesmo que tenha de recorrer a medidas cada vez menos convencionais e mais próximas das ações levadas a cabo pela FED nos últimos anos”.

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