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Os 10 maiores mercados de obrigações convertíveis do mundo


O mercado de obrigações convertíveis tornou-se numa classe de ativos que está a suscitar um crescente interesse dos investidores. São várias as gestoras que estão a dar importância a um produto que é considerado híbrido, que se situa entre as ações e as obrigações. Uma delas é a Amundi, entidade que está a realizar um especial esforço formativo para explicar aos investidores os prós e os contras desta classe de ativos. “Os convertíveis não são uma solução mágica, mas são uma classe de ativos que atualmente faz muito sentido, depois de nos últimos 20 anos ter oferecido uma rentabilidade similar às ações com a metade da volatilidade”, afirmou Alexandre Drabowicz, especialista de produto de Volatilidade, Arbitragem e Convertíveis da Amundi, numa recente visita a Espanha. 

O mercado de obrigações convertíveis tem uma capacidade superior de resistir comparativamente com o mercado de ações,  graças à sua convexidade natural”, explica. Na sua opinião evidenciam-se os períodos de stress pontual vividos pelos mercados nos últimos anos. Dá vários exemplos. O primeiro são as correções sofridas pelos mercados como consequência das preocupações à volta de uma possível  quebra da Grécia. No caso da revisão em baixa da qualificação creditícia da dívida do Reino de Espanha, o retrocesso do mercado de convertíveis também foi inferior à queda das ações (13,7% em relação a 7,9%). “Embora este mercado desfrute de um nível de liquidez que é o melhor dos últimos cinco anos, este é um aspecto que continua a ter que se vigiar. Não nos podemos esquecer que é uma classe de ativos de nicho, ainda que apresente uma tendência de crescimento desde 2011” (é importante sublinhar que o seu tamanho foi maior no período entre 2003 e 2007). Ver no gráfico abaixo. 


A qualidade creditícia é, segundo Drabowicz, um aspecto muito importante, embora mais relevante seja a liquidez, sobretudo tendo em conta que o rácio de default é muito baixo (atualmente é de 0,3%). Na verdade, no ano passado, apenas aconteceram dois incumprimentos mundiais em todo o mundo: um na Europa (Pescanova) e outro nos Estados Unidos. “No caso dos Estados Unidos, metade do mercado de obrigações convertíveis não apresenta rating. Na Europa, por seu lado, a percentagem é inferior (42%), enquanto na Ásia sobe para 75% (ver gráfico). É por esta razão que nós concedemos uma classificação interna a cada emissão. De acordo com as nossas estimativas, dois terços do mercado global correspondem a obrigações high yield, e 33% a emissões com grau de investimento”. 

Outro aspecto importante a ter em conta quando se fala do mercado de obrigações convertíveis é o perfil técnico da obrigação, medido pelo delta (não nos podemos esquecer que uma obrigação convertível é uma obrigação emitida por uma empresa privada que incorpora uma opção de compra – call - sobre uma ação, o que confere ao instrumento sensibilidade às flutuações da ação subjacente). Quando o delta é inferior a 30%, a obrigação convertível comporta-se como uma obrigação clássica, com sensibilidade principalmente aos mercados de crédito e às taxas de juro. Quando é superior aos 70%, a obrigação convertível comporta-se como uma ação. As convertíveis com um delta entre os 30% e os 70% chamam-se mistas e oferecem uma participação às subidas maior do que às descidas para um movimento simétrico da ação. É o que se denomina de convexidade. 

Estados Unidos e Europa são, neste processo em concreto, mercados muito diferentes. No caso americano, 56% das obrigações convertíveis têm uma sensibilidade maior às ações (delta alto), em relação aos 34% da Europa. No caso dos mistos (com um delta entre 40% e 50%), a percentagem em Estados Unidos é de 30%, enquanto no mercado de convertíveis europeu é de 40%. A parte do mercado que apresenta uma sensibilidade menor ao mercado de ações (delta baixo) nos Estados Unidos é de 13%, em contraponto com os 25% da Europa. Na Ásia, pelo contrário, mais de 70% do mercado corresponde a emissões mistas ou com um perfil muito similar ao de uma obrigação (ver gráfico). 


Atualmente, o tamanho global é de 395.00 milhões de dólares. Desse volume, 234.000 milhões são emissões de empresas norte-americanas, o que representa praticamente 60% do volume total. A Europa é o segundo grande mercado de obrigações convertíveis. O valor de mercado desta classe de ativos na Europa, Médio Oriente e África alcança os 114.000 milhões de dólares. Segue-se a região da Ásia Pacífico (excluindo o Japão), com um tamanho de 31.000 milhões, e o Japão que se converteu num ator de grande relevância neste segmento (ver tabela). “O mercado japonês de obrigações convertíveis voltou a dar bons sinais, com uma dimensão de 16.000 milhões de dólares. Estamos muito positivos em relação a este mercado. A confiança empresarial é hoje muito superior e a maioria das emissões têm uma qualificação creditícia  de grau de investimento, tendo em conta as agências de notação japonesas”, assinala o especialista da Amundi. 


À frente deste mercado está o mercado francês, o segundo maior do mundo com 25.000 milhões de dólares (6,4% do total). “A França é o segundo maior país emissor de obrigações convertíveis. A relação da França com esta classe de ativos é muito estreita. De facto, muitos dos fundos de entidades internacionais estão a ser geridos por profissionais franceses”, revela Drabowicz. Espanha ocupa o sétimo posto a nível mundial com 8.000 milhões de dólares, o que representa 2,1% do total. Em seguida apresenta-se o ranking dos 10 maiores mercados de obrigações convertíveis do mundo, o valor de mercado de cada um deles (em mil milhões de dólares) e a percentagem que  cada um representa face ao valor total. Neste sentido, os 10 maiores mercados do mundo absorvem 88,5% do total. 

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