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“O uso de derivados simples é como o uso do cinto de segurança quando conduzimos”


Existirá uma forma de prevenir grandes quedas sem perder muito do potencial das subidas?

Na Schroders acreditam que sim, ou não propusessem na gestora portfólios construídos numa lógica de condução segura. John McLaughlin explica como que é que se adapta na gestão de ativos uma estratégia típica da banca de investimento, área onde iniciou a sua carreira em 1993. Na verdade, o uso de derivados é mais recente na primeira e requereu uma educação dos gestores que viam esses instrumentos como maus caminhos a seguir. Contudo, “o tempo veio ensinar que o uso de derivados simples é como o uso do cinto de segurança quando conduzimos. Na maioria das vezes não precisamos dele, mas no caso de um acidente, são mais as vezes que ele nos salva do que o contrário”, introduz o head of portfolio solutions da Schroders.

Então e como se consegue prevenir grandes perdas, sem sacrificar demasiado os ganhos?

McLaughlin começa por contradizer regras mais tradicionais de construção de carteiras que tendem a funcionar, mas em momentos regulares de mercado. Em primeiro lugar: a alocação a obrigações? O especialista responde que sim, providencia efetiva protecção no curto prazo pelo menos até à normalização das taxas de juro, embora não contribua para extrair todo o potencial de subida no médio prazo. Já uma diversificação entre múltiplos ativos em crescimento funciona bem neste último caso, apesar de no curto prazo não evitar perdas dado que as correlações tendem a aproximar-se de  1 quando os mercados colapsam. E uma gestão dinâmica? Uma gestão ativa funciona em condições normais de mercado, controlando riscos sem impactar muito o retorno. Por último, as opções restantes mas que se revelam igualmente incompletas e caras a médio prazo seriam a compra de proteção ou o investimento no denominado riscos de cauda (“tail risk”) – prática comum nos hedge funds e que funcionou bem em 2008.

Assim, impõe-se a pergunta: como proteger a carteira a um custo razoável?

Na Schroders, sugerem uma estratégia que consiste no estabelecimento de um tecto (“cap”) para as oscilações do mercado, achatando a extremidade esquerda de uma distribuição normal. McLaughlin considera que este cap de volatilidade funciona como o cinto de segurança. O especialista alerta, desde logo, que no mundo do investimento não se pode ter o melhor de dois mundos, sendo, por isso, impossível controlar totalmente a volatilidade sem sacrificar um pouco do retorno da carteira.

E porque fará mais sentido agora?

Os investidores necessitam de aumentar a sua exposição a ações, para superar a inflação e dar resposta às suas responsabilidades de longo prazo. No entanto, as correções de mercado podem levar a perdas significativas no curto prazo”, refere o head of portfolio solutions da gestora britânica, acrescentando que “todos almejamos ser investidores de longo prazo, mas nenhum de nós suporta uma queda de 40%”. E é, precisamente, aqui que ganha forma a estratégia implementada na gestora britânica: os cap de volatilidade.

Em termos concretos, “trata-se de uma maneira sistemática de prevenir a volatilidade”, diz McLaughlin rejeitando, à partida, que seja uma estratégia quantitativa. “Estabelece-se um tecto relativamente acima do seu nível normal, aproximadamente nos 15% e na medição diária da volatilidade, quando se verifica que esta ultrapassa esse “cap” procede-se à venda de futuros sobre ações”, explica. O especialista sublinha, ainda, que quando a volatilidade volta ao seu nível normal voltam a estar totalmente investidos e que apenas negociam com os maiores futuros disponíveis no mercado, garantindo que têm liquidez, e que não realizam operações OTC ou usam quaisquer derivados alavancados.

Concluindo da mesma forma que iniciou, com uma analogia à condução, o head of portfolio solutions da Schroders, resume a estratégia como apropriada a qualquer carteira, flexível porque é dotada da capacidade de ser alterada ou suspensa a qualquer momento e, principalmente, por permitir, como o cinto de segurança, na maioria dos casos, “salvar a carteira de grandes perdas”. 

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