O que prejudicou e beneficiou os fundos de ações nacionais em janeiro?


As quedas nas bolsas mundiais no mês de janeiro chegaram também à bolsa nacional. O PSI-20 no primeiro mês de 2016 caiu 4,7% face a dezembro, chegando aos 5.065,67 pontos. Este foi um mês bastante agitado para o índice, no qual a volatilidade chegou a atingir os 31,38%.

Os gestores de fundos de ações tiveram claramente nas suas mãos uma tarefa mais árdua do que habitual... Fomos perceber como foi o mês de alguns destes gestores, consultando as fichas mensais online relativas a este mês.

IMGA Ações Portugal, gerido por Nuno Marques, da IMGA

Considerado recentemente o melhor fundo nacional, nos Euronext Awards, o produto gerido por Nuno Marques não ficou imune à intempérie dos mercados. Segundo o que o gestor relata na ficha online do produto, “a queda dos mercados representa a resposta dos investidores a indicadores macroeconómicos mais fracos, pondo em causa as estimativas de crescimento global”. O profissional recorda que apesar das quedas do índice onde investe terem sido significativas, “o mercado acionista português terminou o mês com um desempenho acima dos seus pares europeus”. No campo positivo da bolsa, Nuno Marques aponta a Jerónimo Martins (+7%), “beneficiando do bom desempenho operacional e da clarificação quanto ao imposto na Polónia”, mas também a Impresa (+5.7%) que “refletiu a inflação dos conteúdos televisivos em Portugal”, e ainda a Galp (+1.8%). Do lado das quedas, o destaque foi para a Mota Engil (-24.7%), “penalizada pela sua exposição a economias dependentes de matérias-primas”, e ainda a Altri (-21.3%), “%), penalizada pela inversão do ciclo positivo de pasta de papel. O BCP também se inclui nestes piores resultados “a refletir a falta de confiança dos investidores na generalidade da 2ª e 3ª linha da banca periférica europeia, designadamente em Itália”.

No mês, o gestor dá conta de uma queda de 6.57% do fundo sob a sua alçada. Nuno Marques aponta que “as exposições detidas em Jerónimo Martins, Galp e nas pequenas capitalizações Impresa e Sonae Capital foram as que mais contribuíram positivamente para o retorno do fundo”, enquanto que negativamente contribuíram “as posições de Mota Engil, BCP e Altri”. O profissional revela ainda algumas modificações de alocação. Refere que foi aumentada a “exposição a BCP em detrimento de BPI”. Assim as maiores posições do fundo passaram a ser preenchidas por “Sonae SGPS, a EDP Renováveis e a Portucel”.

NB Portugal Ações, gerido por Hugo Custódio, da GNB Gestão de Ativos

Atualmente a assumir o comando do fundo de ações nacionais da casa, Hugo Custódio refere no documento mensal referente ao produto, que o mês de janeiro “vai ser lembrado como um dos piores começos de ano dos principais índices de ações mundiais de sempre”. Na componente de ajuda do produto o profissional fala do facto de não deterem “uma posição significativa em Altri e Mota Engil no início de ano”. Também o facto de deterem “uma posição elevada em EDP Renováveis e Sonae” foi benéfico para o produto, pois foram posições que “corrigiram pouco mais de 1%”, ou seja “bastante menos que o índice”. Por outro lado, a prejudicar o produto esteve a baixa exposição à energética Galp, “que subiu perto de 2%”.

Numa perspectiva mais de futuro, o profissional assinala que apesar dos riscos e incertezas terem aumentado em janeiro, não assumem que vá existi “uma nova recessão global”, mantendo-se por isso “positivos no mercado acionista nacional”. 

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