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O que podemos esperar do resto do ano?


Num período fortemente marcado pelas férias de Verão, os principais índices bolsistas continuam a apresentar uma baixa volatilidade e uma performance year to date genericamente positiva, suportada pela ação de vários fatores: a melhoria do clima económico, o crescimento dos resultados das empresas, a continuação do ciclo de baixas taxas de juro (apesar das recentes subidas ocorridas nos EUA), o aumento da confiança dos consumidores, empresários e investidores e também a relativa ausência de alternativas de investimento, nomeadamente, no segmento obrigacionista.

Apesar do ano positivo no segmento acionista, existem vários analistas internacionais a sugerir alguma prudência no nível de exposição em ações.

Os múltiplos de mercado, nomeadamente o Price Earnings (PER ou P/E), é de quase 18 no mercado americano e 14,5 na Europa. Por países, as bolsas que apresentam atualmente os menores PER são a Itália, a Alemanha e a Espanha. No múltiplo Price to Book (P/B), a Europa também apresenta um valor mais baixo que os EUA, revelando-se por isso mais atrativa em termos de avaliação: o mercado americano apresenta um P/B de 3,1 e a Europa de 1,7. Neste indicador, os mercados com valores mais baixos (mais atrativos) são a Itália, a Espanha e a França.

Outros indicadores que têm revelado nos últimos meses um maior dinamismo na Europa face aos EUA são o PMI da indústria e a venda de automóveis. Por outro lado, o crescimento do crédito concedido na Europa desde meados de 2014 tem feito diminuir significativamente o gap face aos EUA.

Apesar da boa performance, os indicadores PMI na Europa encontram-se em níveis elevados, pelo que, vai ser difícil continuarem a subir nos próximos meses.

O melhor dinamismo económico tem reflexos positivos na evolução dos resultados das empresas europeias, que neste momento crescem de forma mais dinâmica do que os resultados das empresas americanas.

A inflação continua a não ser para já um problema. Os preços das comodities continuam relativamente deprimidos, pelo que, quer nos EUA como na Europa, a inflação não obriga a qualquer endurecimento da política monetária, especialmente na zona euro. Contudo, a Reserva Federal tem manifestado nas suas reuniões mensais, a vontade de reduzir o seu balanço, de forma a minimizar preventivamente os efeitos nocivos de pressões inflacionistas.

Desde a frase de Mário Draghi em Sintra que as bolsas europeias têm estado numa das piores fases do ano. A recente valorização do euro face ao dólar contribuiu para essa evolução e, caso continue, será um problema para a competitividade das empresas europeias. Mas por outro lado, a força do euro também pode reforçar a confiança e a atratividade dos mercados e dos ativos acionistas europeus.

Um dólar mais fraco é positivo para os mercados emergentes, o que indiretamente também favorecerá a Europa, dada a exposição das empresas europeias em termos de exportações e investimento às economias emergentes.

Perante este cenário, é de esperar que a Europa possa continuar o caminho da recuperação e que os mercados acionistas europeus possam continuar a fazer outperformance face ao mercado americano.

As expetativas de subida dos juros nos EUA estão relativamente bem refletidas nos preços dos ativos de risco.

Uma vez terminada a época de resultados do 2º trimestre, poderá existir a tentação para a tomada de ganhos pelos investidores e caso os indicadores macroeconómicos americanos continuem a deslizar ou que os investidores incorporem que a política económica de Donald Trump, afinal não está a resultar como o esperado, os mercados poderão sofrer um ajustamento em baixa.

De todas as formas, por enquanto, ainda não são visíveis sinais claros de que o ciclo de bull market possa inverter. Mas é necessário estar atento!

Boas férias. Descansem e divirtam-se, pois tal como disse o poeta “a vida são dois dias…”.

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