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O que pensam os consultores financeiros das eleições norte-americanas?


Muitas vezes as situações não se percebem da mesma forma, vistas do lado de dentro ou do lado de fora. A controversa campanha eleitoral nos EUA, antes das eleições do próximo dia 8 de novembro, pode ser uma dessas situações, e essa questão é confirmada com o inquérito realizado pela Natixis Global AM a 2.550 investidores profissionais de 15 países, incluindo os EUA.

Em primeiro lugar, verificou-se que os “consultores norte-americanos parecem ambivalentes ou pouco convencidos sobre qual é o candidato que irá ter mais impacto positivo sobre cinco fatores importantes: ações, obrigações, economia global, comércio e risco geopolítico”. Os entrevistados podiam escolher entre quatro respostas: Clinton, Trump, os dois ou nenhum. Nesta questão, mais de 40% destes entrevistados responderam que nenhum candidato irá ter impacto positivo sobre o mercado bolsista, as obrigações ou economia global.

Paralelamente, 37% declarou que nenhum irá ter impacto positivo sobre o comércio global, embora 32% acredite que Clinton deverá ser a melhor opção, em comparação com Trump (26%)…um resultado sem ironia, dada a posição pública do candidato republicano em fazer marcha atrás nos tratados internacionais, como o da NAFTA.

O maior número de respostas positivas que Clinton acumulou foi no terreno do risco político, com 35% dos entrevistados a destacarem a sua influência positiva, “com toda a probabilidade devido à sua experiência passada em Assuntos Internacionais, que se junta à falta de experiência política de Trump”. No entanto, é necessário esclarecer que 32% dos entrevistados afirmou que nenhum dos candidatos seria uma influência positiva sobre este assunto.

Outro mundo fora dos EUA

As perceções são muito diferentes por parte dos consultores financeiros de outras partes do mundo, uma vez que Clinton tem atraído percentagens positivas entre os 45% e os 55% nos cinco aspetos mencionados, contra os 15% de Trump. “Em geral, o sentimento dos consultores financeiros foi relativamente coerente entre países, com um forte contraste com as respostas dos consultores norte-americanos”, apontam da Natixis Global AM.

Curiosamente, da gestora indicam que as percentagens obtidas em França diferem muito de outros países, com Donald Trump a obter uma maior proporção de respostas positivas (cerca de 25%) para as questões relacionadas com a economia global, comércio global e risco geopolítico. Nestes casos não se pode falar que o magnata retire pontuação a Clinton, mas sim uma menor proporção de “nenhum” ou dos “dois”. Este pode ser o reflexo do sentimento populista que está a crescer em França, depois dos recentes problemas de terrorismo e imigração, dois temas muito falados na campanha de Trump”, explicam da Natixis Global AM.

Sexo e idade também contam

A sondagem também identificou diferentes posturas sobre os candidatos, dependendo do sexo. Em traços gerais, 57% das mulheres entrevistadas afirmaram que a eleição de Clinton seria melhor para as bolsas, em comparação com os resultados gerais (49%). No caso dos EUA, 36% das consultoras mostraram uma opinião favorável a Clinton, com um possível impacto bolsista, enquanto 24% preferiam Trump. Em contraste, 28% dos consultores afirmam que a influência positiva seria dada por Trump, contra os 20% que os homens apontam a Clinton.

Da mesma forma, 43% das consultoras norte-americanas sondadas declararam que a vitória de Hillary Clinton seria positiva para a economia global, face a 19% que destacou Trump. A divisão de opiniões nos homens foi muito patente nesta questão, já que 25% dos entrevistados preferiam Clinton, com 28% para Trump. Em todo o caso, o resultado da sondagem refuta a tese de outros inquéritos, que mostram que Clinton tem uma maior capacidade para atrair o voto feminino do que Trump.

A divergência de opiniões também foi notada em função da idade dos participantes no inquérito. Desta forma, nos EUA, cerca de 34% dos entrevistados com mais de 47 anos afirmaram que a vitória de Trump seria melhor para as bolsas, contra os 21% que preferem Clinton. Já 37% respondem que nenhum dos dois irá beneficiar as bolsas de valores.

Do outro lado, 23% dos consultores com menos de 47 anos afirmaram que a eleição de Clinton seria positiva para a bolsa, face aos 19% de Trump e aos 47% que afirma que nenhum dos dois é positivo para a bolsa. “Os consultores mais jovens estão a expressar claramente a sua frustração com os candidatos de ambos os partidos, embora – coerentes com os dados gerais da sondagem – o candidato republicado obtenha melhores resultados com os entrevistados mais velhos”, apontam da Natixis Global AM.

O último dado interessante da sondagem tem a ver com a perceção dos consultores financeiros em função do seu próprio negócio. Assim, nos EUA, os consultores financeiros com uma carteira de clientes superior à média, indicaram que 41% preferiam Clinton em matéria geopolítica, enquanto 29% declarou que nenhum dos candidatos será bom para o risco geopolitico e 23% respondeu que Trump seria o melhor. Do outro lado, os consultores com uma carteira inferior à média mostraram mais vontade ao afirmar que não iria causar impacto a eleição dos candidatos (39%) e que o resto mostrou uma atitude similar a Clinton e Trump. Isto leva a que os especialistas na Natixis Global AM assinalassem que os “consultores com negócios maiores podem estar mais inclinados a manter o seu status quo (Clinton) enquanto que aqueles com menor volume estão mais aberto à mudança (Trump)".

Em qualquer caso, dada a elevada percentagem de respostas que não favorecem nenhum dos candidatos, da entidade gestora sentenciam que a maior conclusão do inquérito é “o alto nível de apatia e/ou frustração mostrado pelos consultores, tanto dentro como fora do território dos EUA".

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