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“O que colocamos na carteira é tão importante como aquilo que fica de fora”


Numa entrevista à publicação da Funds People Espanha no passado mês de novembro John Pandtle começa por recordar a “história” da atribuição de gestão do fundo Nordea 1-North American All Cap Fund à Eagle AM. “Quando nos reunimos com eles pela primeira vez disseram-nos que era relativamente fácil encontrar um gestor que conseguisse acrescentar valor em períodos de subida do mercado e também localizar profissionais que conseguissem conter as perdas em períodos de correção”. O que era difícil, diz o especialista, era “encontrar um gestor que fosse capaz de bater o mercado em períodos de subida e que ao mesmo tempo registasse um comportamento melhor do que o índice em períodos de queda”, afirma.

Disciplina de investimento

Para John Pandtle,  um dos quatro gestores do fundo da Nordea, o segredo do êxito do produto assenta num enfoque único de encontrar empresas com valor que registem um crescimento razoável. Esta estratégia que tem sido atrativa para os investidores nos últimos meses. Os números falam por si: no final de abril de 2013, o fundo mantinha um património de 500 milhões de dólares e cinco meses depois esta soma ascendia aos 1.100 milhões de dólares. “Não podemos garantir ao investidor que vamos sempre bater o mercado em 10%. O que podemos assegurar é que vamos manter a nossa disciplina de investimento de valor e crescimento razoáveis. Através deste filtro podemos localizar empresas que negoceiam a níveis muito baixos com um interessante potencial de crescimento, que é definido através de uma minuciosa análise dos fundamentais”, afirma.

Baixa rotação da carteira

Desta forma, a equipa procura empresas que negoceiem com desconto em relação às suas homólogas, mas que apresentem também fundamentais fortes. No produto podem encontrar-se ações que negoceiam com desconto, mas que estão inseridas num sector que considerem sobrevalorizado. A carteira tem um bias de investimento para empresas de qualidade e concentra um conjunto de cerca de 40 títulos que a equipa define como “as melhores ideias de investimento”, de todos as capitalizações.

Com uma baixa rotação da carteira, são definidas uma dezena de ideias por ano ano das quais apenas duas ou três chegam a fazer parte da carteira. John Pandtle explica que normalmente “começam a trabalhar numa ideia durante muitos meses antes da tomada efetiva da decisão. “Para nós o que colocamos na carteira é tão importante como aquilo que fica de fora”, afirma. O gestor reconhece que o “sistema não é infalível” e que “cometem erros como qualquer gestor”.

Missão atribuída a cada gestor

Para além do enfoque de valor e crescimento razoáveis já descrito atrás e que representa um cunho inovador no produto, não menos criativo é também o processo de tomada das decisões. “Se nas outras equipas existe um único responsável que é quem dá ordens, neste caso há quatro gestores ou diretores de carteira que são quem toma as decisões”. Segundo o especialista cada membro da equipa tem como missão cobrir determinados sectores. “Eu sou o responsável pela análise das entidades financeiras (sector com mais peso na carteira com, 19,9%), materiais e serviços”, explica.

Já em novembro, aquando da entrevista cedida à Funds People Espanha, o especialista falava de algumas incertezas no horizonte dos mercados norte-americanos. “O optimismo e os dados económicos sólidos vão fazer com que os investidores se sintam cómodos a comprar ações”.

 

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