O que ainda ‘vale a pena’ nos fundos monetários


Inegavelmente gerir fundos de mercado monetário fez com que os profissionais se reinventassem no trabalho que executam. Eleger os ativos “certos” para integrar as carteiras passou a ser um desafio constante, e determinadas campainhas de alarme começaram a ser ainda mais respeitadas por causa da liquidez, como recordaram à Funds People vários profissionais que lidam diariamente com este trabalho.

Aparentemente tão “problemáticos”, que benefícios continuam a oferecer estes fundos aos clientes e às próprias entidades? A resposta é quase unânime. Os fundos monetários ainda fazem sentido quando se fala em entidades que integram os maiores grupos bancários, por um lado, mas ainda por outras mais razões.

Double check: captam e apresentam resultados

Joel Carvalheira, da Caixagest, é contundente e vai direto aos números que comprovam essa importância. “Na categoria de fundos de mercado monetário a Caixagest tem atualmente sob gestão cerca de 2,2 mil milhões de euros, montante que se encontra dividido por dois fundos: o Caixagest Liquidez e o Caixa Fundo Monetário”, reitera. Ainda que as baixas taxas de juro sejam prejudiciais, “desde janeiro de 2014 o montante sob gestão (destes fundos) registou um crescimento de aproximadamente 700 milhões de euros, valor que confirma a importância desta classe de ativos na oferta da Caixagest e a sua atratividade junto dos nossos clientes”.

Na mesma lógica de imprescindibilidade na oferta, Fernando Nascimento reitera que “para a CA Gest, inserida no Grupo Crédito Agrícola, é fundamental a existência de um fundo de muito baixo risco, que está perfeitamente adaptado ao perfil conservador de uma grande fatia dos clientes da Rede”. Quanto ao ‘fundo estrela’ da casa neste âmbito, o CA Monetário, o profissional recorda que é “líder de rendibilidade na sua classe para todos os prazos”, e que “tem endereçado perfeitamente os objectivos de rendibilidade competitiva e liquidez imediata que o tradicional investidor destes fundos procura, o que justifica plenamente o crescimento exponencial dos volumes sob gestão, desde o seu lançamento”.

Para um cliente, Rui Alpalhão, da FundBox, entende que naturalmente estes produtos farão sentido numa carteira consoante o perfil de risco que assuma. Numa entidade, por seu turno, a inserção de um fundo monetário na oferta é, na opinião do profissional “essencial” quando se trata de uma gestora “full service” que o queira ser em toda a linha. Também numa perspetiva de negócio, Fernando Nascimento assinala que estes instrumentos “permitem deslocar ativos para fora do balanço, melhorar a margem financeira da instituição e estimular a geração de comissões, constituindo assim uma ferramenta essencial para a gestão da liquidez de uma rede bancária”.

Liquidez, refúgio e disponibilidade imediata

Igualmente caraterísticas mais tradicionais destes produtos continuam a ser invocadas como razão justificativa. Paulo Duarte, da BPI Gestão de Activos, acredita que para ambas as partes – cliente e gestora – os fundos de mercado monetário têm relevância, pois concedem “refúgio e disponibilidade imediata do capital para aproveitar oportunidades noutras classes de ativos”, ou seja, “quando a incerteza do mundo está alta (nem a FED se decide sobre o caminho das taxas de juro) e não se tem bem a certeza de que activo vai valorizar num futuro próximo, este produto é uma excelente alternativa para manter o valor do capital e estar disponível rapidamente para aproveitar eventuais oportunidades”.

Na mesma linha de pensamento, Amit Maugi, da GNB Gestão de Ativos, Grupo NOVO BANCO, resssalva que é “nos períodos de volatilidade dos mercados financeiros em que os clientes/gestores procuram reduzir a incerteza em termos de perdas de capital”, que este tipo de estratégias ganham mais importância. Caraterísticas como a “segurança” do capital e o “baixo risco de perda de capital” são por isso salientados. Por outro lado, o membro da equipa de obrigações da gestora destaca uma fonte de atratividade destes fundos que tem surgido ultimamente: “Temos assistido ao aumento do risco liquidez nos mercados financeiros, pelo que este produto assume maior atratividade devido à reduzida maturidade/duração dos seus investimentos”, afirma.

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