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“O período 2017-2020 vai ser muito satisfatório para os países ibéricos"


A Arcano acaba de entrar no mercado português  e esteve em Lisboa para o Arcano Economic Update, um evento em que se discutiu a situação económica, os mercados e os possíveis efeitos do Brexit no mercado nacional.

Em entrevista à Funds People, Ignacio de La Torre, chefe de Research na entidade financeira espanhola, mostra-se positivo nas previsões para a economia europeia: “vamos ter o melhor crescimento dos últimos cinco anos. Acredito que a Europa vai crescer mais do que os EUA”. Quanto ao impacto da saída do Reino Unido da UE, o profissional diz que na Zona Euro este vai ser “limitado, afetando 0,2% do PIB no pior cenário possível”. Por outro lado, em terras de Sua Majestade o caso muda de figura. “As consequências podem ser mais graves, especialmente devido à vulnerabilidade do défice da balança corrente”, alerta.

Mercado europeu: dois eventos a ter em conta

“Dois grandes eventos podem ter impacto na performance dos mercados financeiros europeus”, começa por dizer. “Por um lado, há grandes probabilidades de o Banco Centro Europeu anunciar um abrandamento na segunda metade do ano, o que pode criar stress financeiro. Por outro lado, há um risco crescente de uma crise financeira na China, o que provocaria um contágio nos mercados emergentes”.

“As obrigações europeias vão baixar, incluindo as portuguesas”

Ignacio de La Torre afirma que os mercados obrigacionistas europeus estão nos valores mais altos da sua história em resultado do “Quantitative Easing”, “o que não é de todo sustentável”, remata. O profissional acredita que as obrigações europeias vão recuar, incluindo as portuguesas. “Faz sentido que Espanha se financie a um custo abaixo do Tesouro americano? Certamente que não”.

Boas notícias para Portugal

O chefe de Research da Arcano mostra-se positivo quanto ao futuro da economia portuguesa. “Portugal evoluiu para se tornar uma das principais potências exportadoras durante a crise, graças à sua competitividade. O facto de a procura europeia (a principal fonte de exportação portuguesa) estar a recuperar são boas notícias para o mercado português”. Ignacio de La Torre acredita que, neste ambiente, a procura interna também vai recuperar e o setor imobiliário vai responder, apoiando este crescimento nos próximos anos. “Acredito que o período 2017-2020 vai ser muito satisfatório para os países ibéricos”, conclui.

Mudanças na política monetária? Sim, mas graduais.

“Não é coerente ver a economia da Zona Euro crescer mais de 2%, dinheiro em circulação a 5%, crédito a 2% e ainda ter o BCE a emitir 60 biliões de ‘dinheiro’ todos os meses”, argumenta. O profissional prevê que o banco central anuncie uma mudança nesta política no segundo semestre de 2017. Porém, as mudanças vão ser graduais, sendo que “os títulos vão sofrer, mas o sofrimento será gradual", explica. “Este será o início de um bear market secular de obrigações soberanas”, termina. 

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