O olhar da Threadneedle sobre a Europa em 2016


Umas semanas antes da última reunião do BCE, Ann Steele, portfólio manager de ações europeias na Threadneedle já antecipava parte do que Mario Draghi acabou por anunciar a 3 de dezembro. Numa entrevista à Funds People Portugal dizia esperar, por um lado, que o presidente do BCE “anunciasse um aumento do Quantitative Easing” e “um corte das taxas de depósito” – ambas medidas que acabaram por se concretizar – ao mesmo tempo que antecipava um valor adicional de pelo menos 20 mil milhões de euros no valor de compras mensais do Banco Central. Esta última premissa acabou por não se tornar verdadeira, para decepção quase geral do mercado.

No entanto, a recente subida das taxas de juro pela Fed -  também antecipada na conversa com a profissional -  e a possibilidade de reforço dessa subida em 2016, compunham para a portfólio manager um “bom” apoio para o euro, com “ganhos positivos de 9% no próximo ano, e com um dividend yield de cerca de 3,6%”, que por sua vez iria beneficiar as ações europeias. À equação que favorece as bolsas europeias junta-se ainda, segundo Ann Steele, os preços mais baixos do petróleo. “Todos sabemos que quando os preços do petróleo baixam, os consumidores têm “no bolso” mais dinheiro para gastar”, refere, lembrando a ajuda que isso representa para o consumidor europeu. Um euro mais fraco - que a profissional também coloca como possibilidade para o próximo ano – irá , por outro lado, “suportar as ações europeias”.

Um voto de confiança na Europa

Posto isto, a história de 2016 parece começar a ser escrita a favor do velho continente. Em termos sectoriais, a preferência de Ann Steele neste espectro de investimento vai para a área de consumo – tanto discricionário, como o básico – onde encontra “ideias muito interessantes”. Destaca como exemplo a “Pandora”, que apelida de uma “empresa com qualidade”. “Acredito que esta é uma empresa que ainda poderá crescer muito não só no Reino Unido, mas também na Alemanha ou na Itália. É esperado que se possa ainda abrir ao mercado asiático”, referencia.

Afastando as hipóteses de que o tema terrorismo possa ter alguma espécie de impacto na Europa, a profissional fala, por outro lado, do interesse que vê em alguns títulos da área do consumo cíclico, que brevemente poderão revelar-se atrativos. Empresas com um forte balanço, com fortes fluxos de caixa, e que consigam utilizar esses “fluxos de uma forma inteligente ao longo do tempo”: são estas algumas das caraterísticas para as quais Ann Steele aponta baterias, juntamente com a sua equipa, composta por 27 pessoas.

Cada um dos elementos da equipa é caraterizado como ‘bottom up stock picker’, e 8% do alfa registado pelos fundos advém precisamente dessa escolha de títulos. A equipa não descura o trabalho in loco e, por isso, uma componente importante do trabalho é as visitas às empresas.  

Mais “dedicada” aos sectores da construção e das joias, a portfólio manager revela que estes são dois sectores que obviamente têm de ser olhados de forma diferente na hora de analisar as empresas que os constituem. Aponta o exemplo da construtora irlandesa Kingspan, que “faz o isolamento para edifícios comerciais, casas, edifícios industriais, etc”, e que “tem tido um enorme sucesso na Irlanda mas também no resto da Europa, mas não só. Também nos EUA tem conseguido uma grande penetração através de aquisições”. 

Algumas das últimas palavras da profissional foram sobre a China, e acerca do eventual impacto que a desaceleração dessa economia poderá ter na economia europeia. Para a profissional, apenas se o abrandamento da China for “muito grande” é que a Europa poderá ser prejudicada, mais concretamente as empresas suecas e alemãs, sobretudo as que pertencem ao sector automóvel e de engenharia, já que exportam muito para a região.

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