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O olhar “bottom-up” da BBVA Asset Management na América Latina


Depois de um 2014 irregular para a América Latina, o ano de 2015 perspetiva-se como sendo de mudanças positivas para a região. O BBVA AM, cuja presença na região latino-americana é histórica, trouxe recentemente a Lisboa Federico Galassi, CIO Pan Latam da entidade, para dar conta desse novo “fôlego” que países como México, Peru, Colômbia, ou até mesmo Brasil, estão prestes a iniciar.

Numa entrevista à Funds People, Federico Galassi, analisou precisamente o valor que a entidade encontra em cada um desses países. Nesta “viagem” pela América Latina, o ponto de partida foi o México. “É o país onde vemos maiores oportunidades  no médio/longo prazo, porque durante o último ano tem executado muitas reformas fiscais e financeiras”, começou por referir. Ainda assim, a maior oportunidade vislumbrada é ao nível das reformas energéticas que o país tem levado a cabo.  

“Energia” mexicana

“O México continua a ser um país onde o petróleo é muito importante, mas o governo abriu o mercado à competição. Esta mudança de regulação vai permitir um maior interesse de empresas estrangeiras pelo país. Também a reforma na CFE (Comisión Federal de Eletricidad) vai fazer com que os custos da energia tanto para os consumidores como para as indústrias diminuam”, indica. Recordando que os custos unitários do trabalho no México são neste momento mais baixos do que na China, o especialista acredita que no futuro o país será um eixo industrial e o principal fornecedor dos US.

Chile: crescimento de várias indústrias

No caso do Chile, Federico clarifica que a entidade está positiva em relação ao  país, mas mais no longo prazo, já que 2014 tem sido um ano de mudanças, com a troca de Executivo e a implementação de reformas fiscais. “O crescimento do país foi mais fraco do que o esperado, muito por causa da quebra no preço do cobre, já que o Chile é um dos maiores exportadores do mundo”, refere. A perspetiva do BBVA em relação ao país continua no entanto a ser positiva, já que “tem uma grande penetração no sistema bancário, e que para além do cobre tem vindo a crescer  noutras indústrias, etc”.

Peru: população a subir na pirâmide dos rendimentos

Num “salto” para o Peru, que durante o ano passado registou um crescimento de 6%, o CIO fala de uma evolução evidente, que justifica o grande positivismo no país. “Há 10 anos atrás mais de 60% da população estava abaixo da linha de pobreza. Atualmente esse valor é de apenas 30%, ou seja, 30% da população passou do escalão mais baixo de rendimento para um escalão médio”. Ainda que no ano que vem se possa esperar alguma volatilidade, “acreditamos que continua a ser um país com muitas oportunidades e acerca do qual temos estado positivos durante os últimos três anos”.

A grande diferença que a Colômbia apresenta comparativamente com os outros países é que “foi o único deste conjunto que teve uma revisão em alta do seu PIB, mas, contudo, continuamos a vislumbrar um crescimento no país”. A ajudar a boa condição do país, diz, está o eminente acordo com as FARC. Federico aponta  oportunidades nos serviços financeiros, bem como nas infraestruturas colombianas.

Educação: um sector a não perder de vista no Brasil

No país de Dilma Rousseff, o CIO é mais comedido no “positivismo”. “Os mercados estão bastante negativos relativamente à reeleição da Presidente, mas não está muito pessimista por várias razões:  três dias  depois da reeleição, o Banco Central aumentou as taxas e existem muitos rumores no mercado sobre quem vai ser o próximo ministro das Finanças, sendo que as evidências é de que seja nomeado um nome pró-mercado”.  Refere também que “o real está muito correlacionado com as matérias-primas, e não com as taxas de juro.  É muito difícil prever o que pode acontecer ao nível da moeda, mas tendo em conta que as taxas de juro estão altas no país é provável que oportunidades surjam no campo das obrigações”.

No mercado de ações brasileiro, a BBVA AM vê valor em sectores como o financeiro, mais especificamente em bancos e private banks. “Os empréstimos estão a crescer, ainda que devagar; as comissões de gestão também têm aumentado, tanto na gestão de ativos, como noutras áreas”, justifica. Para além desta área, existem outras empresas que agradam à gestora, nomeadamente na Educação e nos seguros. “Muitas pessoas veem estas empresas como sendo defensivas, mas acreditamos que nos próximos anos vão crescer bastante”. Exemplifica, e diz que na educação estão a ser dadas muitas oportunidades, com empréstimos atribuídos aos estudantes. “Neste momento já existem 3 ou 4 empresas cotadas no Ibovespa que estão a investir nesta área, por exemplo em campus universitários ou escolas, como é o caso da Kroton Educational SA”.

Resumindo a postura que a entidade tem em relação à América Latina, refere que o investimento feito pela BBVA AM é bastante bottom up. “Mesmo que não estejamos tão interessados num país, ou até mesmo num sector em específico, conseguimos sempre encontrar boas oportunidades. No México, por exemplo, podemos nomear o caso da empresa Gruma, que faz tortilhas, e que tem um grande historial de alavancagem operacional. Estamos muito focados neste tipo de empresas, já que em 2 ou 3 anos vão ter muito valor”, comenta. 

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