Tags: Obrigações | Ações |

“O nosso passo seguinte será posicionarmo-nos em durações alargadas”


Identificar oportunidades de investimento sempre desde uma perspectiva de valor relativo. Essa é a estratégia que Michael Krautzberger, director de investimento e responsável pela área de obrigações europeias da BlackRock, reconhece seguir no actual enquadramento de mercado. “A nossa aproximação ao mercado parte da base de identificação e da exploração do valor relativo em todo o espectro de obrigações, sempre com o apoio de uma equipa de profissionais estável, qualificada e diversificada em todos os sentidos, tanto por nacionalidades como por formação académica. Contar com uma equipa com este perfil permite não cair na armadilha do consenso”, afirma.

Segundo explica o gestor, esse consenso generalizado que existe em torno de uma possível mudança de curso dos bancos centrais, é precisamente aquele que estaria a levar os mercados a darem a volta. “O investidor considera que as autoridades monetárias poderiam começar, em breve, a elevar as taxas de juro, mas acredito que não vá ser assim”. Em muitas partes do mundo o crescimento económico continua a ser débil, especialmente na Europa, onde países como Espanha ou Itália estão em recessão. O PIB dos Estados Unidos, apesar de ter melhorado em parte graças à política da Reserva Federal, continua fraco e apesar de estarmos a ser construtivos em relação ao dólar, os Estados Unidos é o único país que lentamente está a sair da crise.

O mau comportamento registado pelas obrigações não lhe faz temer uma subida massiva dos capitais do mercado de crédito. “Estamos a assistir a uma normalização nos fluxos de entradas de activos de obrigações. O cenário em que uma grande rotação faria sentido seria um cenário em que os bancos centrais estivessem dispostos a subir as taxas de juro. Mas este não é o caso. Se observarmos de maneira realista a típica alocação de activos que se tem feito na Europa no passado, verificamos que os títulos de dívida são a classe de activos preferida por muitos institucionais, como por exemplo companhias de seguros ou fundos de pensões. Se o enquadramento melhorasse este tipo de investidores poderia aumentar moderadamente o peso das acções nas suas carteiras”.

Para Krautzberger é incrivel a forma rápida como muda o contexto. Em Maio ainda se falava em colocar em marcha novas medidas de flexibilização da política monetária por parte das autoridades competentes. Hoje fala-se da retirada de alguns estímulos. A melhoria da situação económica poderá levar a Reserva Federal a pôr fim ao QE mesmo antes do fim deste ano. Para o especialista, esta melhoria na crise também alcança a Europa. “A pior parte da crise europeia já ficou para trás. Provavelmente estamos a metade do caminho. Temos visto países como a Irlanda ganhar competitividade. O papel do BCE é dar tempo aos políticos para que adoptem as reformas estruturais necessárias. Não é um processo de um ou dois anos, mas de 5 a 7 anos”, afirma.

Krautzberger considera que é o tempo dos produtos flexíveis que procurem explorar as oportunidades que existem em termos de valor relativo. Na sua opinião, é muito importante ver a qualidade do produto. “A indústria costuma comercializar produtos tradicionais, ligados a um índice de referência. Tem-se que justificar as comissões sobradas ao cliente e ser capaz de superar o mercado gerando ‘alpha’. Se se fizer uma análise da indústria, muitos gestores tiveram problemas com produtos tradicionais. É muito importante analisar o comportamento do fundo não só em momentos de subida de mercado”, diz o chefe de obrigações da BlackRock.

“Muitos têm estado sobreponderados em 'high yeld' e em dívida de mercados emergentes. Acreditamos que nestes momentos temos de ser muito selectivos nestas categorias”. No caso da dívida de mercados emergentes, Krautzberger considera que a história não se alterou. Os fundamentais têm melhorado em muitos desses países”, afirma. Vê com mais interesse o mercado de dívida em moeda local, onde existe maior diversidade de activos e se joga com o componente divisa, além de estar menos correlacionada com outras classes de activos. Em termos gerais a sua estratégia continua a passar por “estar modestamente curtos na duração embora o nosso passo seguinte seja comprar duração”.

Empresas

O Mais Lido

Próximos eventos