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O "market timing" de Theresa May


Theresa May e o partido Conservador não conseguiram lograr, nesta eleição, um reforço da anterior maioria parlamentar, um legado precioso do seu antecessor, David Cameron. 

Dos 331 lugares no parlamento, a nova composição parlamentar dos conservadores irá reduzir-se para 318, número este insuficiente para atingir uma maioria de 326 lugares. O sistema político britânico, sustentado numa forte tradição parlamentar, atribui ao Primeiro-Ministro a “opcionalidade" de convocar eleições antecipadas quando lhe é politicamente favorável. Esta "opção americana", apresenta um valor político avassalador, devendo ser exercida, preferencialmente, após uma consciente análise dos fundamentais políticos, económicos e sociais que conduza a uma elevada probabilidade de monetização da mesma.

O market timing é uma estratégia de investimento de natureza essencialmente especulativa, em que o participante tenta identificar os chamados mínimos e máximos do mercado, prevendo e antecipando acontecimentos futuros, sejam eles de ordem económica, social ou política. 

Ora, quando Theresa May, no passado dia 18 de Abril, decidiu convocar eleições antecipadas, fez uma aposta de grande risco político; e fê-lo, sobretudo, com base nas confortáveis sondagens eleitorais contemporâneas. Como sabemos, as sondagens eleitorais são voláteis; os indicadores sociais e fundamentais económicos são mais robustos, sendo estes já à época bastante mais claudicantes. Não obstante tal, o erro mais flagrante, neste processo, foi a incapacidade que Theresa May revelou em definir (e comunicar) uma estratégia de negociação credível para o “Brexit”e para o modelo económico a implementar posteriormente. 

Neste momento, há um agravamento do nível de incerteza relativamente ao futuro governo do Reino Unido, particularmente, quanto à sua capacidade para negociar os termos e o modelo do acordo de saída da União Europeia. Assim, para além de um previsível enfraquecimento da Libra Estrelina, os investidores irão penalizar os setores de orientação doméstica e cíclica, como bancos, retalho e construção. 

Em linguagem coloquial e de mercado, o “market timing” de Theresa May correu-lhe francamente mal. 

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