O impacto das eleições alemãs


As eleições legislativas na Alemanha resultaram este domingo na reeleição de Ângela Merkel, que saiu vitoriosa e com uma percentagem de votos superior àquela que as sondagens antecipavam. O cenário mais provável será agora o de uma grande coligação com o decepcionante SPD, ou até uma maioria absoluta da CDU. Ao mesmo tempo, o outro destaque destas eleições terá sido a votação no novo partido anti-euro, o AfD, próxima da fasquia de 5% que concede assento parlamentar, bastante acima das expectativas iniciais.

Contudo, ultrapassado este momento eleitoral, estou convencido de que a Alemanha não alterará o curso da política interna e externa seguido até aqui. Assim, não vislumbro que venham existir concessões relevantes, nem ao nível de uma eventual mutualização da dívida nem no que se refere à união bancária. A fraca prestação eleitoral do SPD, mais sensível às questões anteriores, bem como a surpresa associada ao AfD e suas posições anti-euro, levam-me a acreditar que a Alemanha continuará para já a pugnar por uma União Europeia constituída na base de uma confederação de nações soberanas.

Além disso, é sempre bom não esquecer que, independentemente da fragilidade económica sentida nos países sob resgate, na Alemanha se vivem tempos de relativa acalmia. O crescimento económico em 2013 será modesto, mas prevê-se que acelere no próximo ano. E mais importante ainda, a baixa taxa de desemprego, tanto ao nível da taxa geral (5,3% segundo os últimos dados do Eurostat) como do desemprego entre os jovens (7,7%), confere um conforto especial à população alemã, validando com factos o conservadorismo político de Merkel.

Caberá, portanto, aos países intervencionados liderar eventuais negociações em prol de alguma revisão dos programas de resgate. O impacto dessas investidas será tanto maior quanto maior for a frente negocial acordada entre os países intervencionados (Espanha incluída). E serão tanto mais eficazes quanto maior for a percepção, junto das opiniões públicas das nações em apuros, de que a revisão dos programas de resgate não poderá servir o crescimento das respectivas despesas públicas, mas sim a criação de válvulas de escape que passem por taxas de imposto mais baixas e por incentivos ao investimento privado.

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