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"O FOMC está cada vez mais divido quanto à forma de comunicar os temas que se referem ao mercado laboral”


A autoridade máxima dos Estados Unidos continua a monopolizar todos os focos de atenção. Em primeiro lugar por causa da celebração da reunião anual de todos os bancos centrais em Jackson Hole e, em segundo, porque ainda continuam a pairar no ar as mensagens da última reunião do Comité de Mercado Aberto (FOMC, nas suas siglas em inglês) do passado mês de julho. A próxima intervenção programada pela Reserva Federal, a reunião do FOMC correspondente ao mês de setembro juntamente com uma conferência de imprensa de Janet Yellen, não acontecerão antes dos dias 16 e 17 de setembro. Na ausência de novas declarações, o estratega e analista da Amundi, Bastien Drut, interpreta a última reviravolta na política de comunicação da Fed.

Bastien Drut começa por falar da reunião do FOMC de julho: “A publicação das actas de 30 de julho demonstram que os membros do FOMC estão cada vez mais incomodados com a forma como têm que falar acerca do mercado de trabalho norte-americano. Com a forte queda do desemprego durante os últimos três anos, os membros do FOMC tiveram que tirar qualquer menção ao “elevado desemprego” no seu comunicado de imprensa, referindo, por outro lado, que “uma série de indicadores do mercado de trabalho continuam a mostrar uma significativa subutilização dos recursos de trabalho”, explica.

Para o estratega, a aparição de tais eufemismos não está isenta de problemas, porque  “poderá ser inclusive difícil preservar esta caraterização de alguma maneira diluída do mercado de trabalho” se este se continuar a fortalecer a um ritmo mais rápido do que o previsto. A este nível, Drut fixa-se noutro sintoma dos ânimos da Fed, que é lido nas entrelinhas: “As actas mostram que o FOMC está cada vez mais divido quanto à forma de comunicar os temas referentes ao mercado laboral”.

A verdade é que o desemprego se encontra muito próximo do objectivo autoimposto pela Fed (6,2% em julho), enquanto que o emprego não agrícola superou os seus máximos anteriores a 2008. “É interessante observar que a diminuição do desemprego está a ser uniformemente distribuída geograficamente: o desemprego caiu em todos os estados norte-americanos, não apenas na Dakota do Norte, um estado que está em ascensão graças ao petróleo e ao gás”, inferem da Amundi. Paralelamente, constatam que a criação de emprego também “está razoavelmente bem distribuída de um ponto de vista sectorial, com exceção do sector público e do sector da informação, que é muito pouco representativo”, diz Drut, acrescentando que a indústria da construção está a gerar novos postos de trabalho. “As vagas aumentaram significativamente no segundo trimestre, alcançando o seu nível mais elevado desde 2001”, acrescenta.

No entanto, o estratega constata que nem tudo está a melhorar. Por exemplo destaca que a taxa de participação está no seu nível mais baixo desde o final da década de 1970. Para além disso, os desempregados de curta-duração perfazem um terço de todas as pessoas sem trabalho nos Estados Unidos.

O passo seguinte: os salários

“Com a inflação a 2%, é provável que a melhoria sustentada das condições do mercado de trabalho agravem os problemas de comunicação da FOMC, e uma subida da taxa de fundos da Fed se converta num tema importante de mercado”, explica o profissional da Amundi. Este conclui na sua análise: “Um dos factores mais decisivos será a evolução dos salários, que ainda não estão ao mesmo ritmo do que a ampla melhoria do mercado laboral”, uma situação parecida com a que se está viver no Reino Unido. 

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