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O “efeito setembro”: os 13 riscos que os mercados enfrentam nos próximos meses


Depois de um verão marcado por acontecimentos micro (Gowex, Espírito Santo) e outros de grau geopolítico, os mercados começam o ano lectivo com um pouco mais de volatilidade, com as obrigações soberanas em mínimos (no caso da Alemanha, Estados Unidos e Espanha) e com o S&P 500 acima da cota psicológica dos 2.000 pontos, pela primeira vez na história.

Perante esta situação, o que podem esperar os investidores? O cenário base com o qual estão a trabalhar os especialistas da Nordea Investment Funds inclui uma recuperação gradual da economia mundial, apoiada pelas políticas acomodatícias dos principais bancos centrais e uma redução das tensões entre a Ucrânia e a Rússia (por exemplo na passada quarta-feira foram transcendidas as conversações para um cessar-fogo permanente entre ambos os países). No entanto, no radar da gestora nórdica apareceram até treze tipos de riscos diferentes, que foram classificados como positivos ou negativos.

Riscos positivos

São sete os eventos possíveis com repercussões positivas no mercado, nos quais a Nordea está mais crente. O primeiro deles é que o sentimento se fortaleça mais do que o esperado à medida que as preocupações geopolíticas se vão diminuindo.

Outro dos riscos positivos está diretamente relacionado com os EUA: que a recuperação seja mais forte do que o esperado à medida que se vai libertando a procura, que tem estado contida até agora, e à medida que a Reserva Federal não endureça tanto a política monetária como esperam os mercados.

O risco seguinte também tem a ver com a política monetária, particularmente com a europeia: da Nordea consideram positivo o anúncio feito pelo BCE no sentido de se criar uma versão europeia do programa de QE, “levando a um crescimento maior através do efeito riqueza e de um euro mais débil”. Aqui há que acrescentar outro cenário possível: que os países da zona euro adotem políticas fiscais mais relaxadas, estimulando assim a procura agregada.

No tema das matérias primas, as considerações da gestora giram em torno dos preços do petróleo: estes poderão cair por causa do aumento da produção de gás piçarra (shale). Finalmente, no que diz respeito aos países emergentes, a previsão é de que se executem reformas estruturais em países como a Índia (já em desenvolvimento) ou o Brasil (onde poderão começar a implementar-se depois das eleições).

Riscos negativos

Entre os eventos que podem prejudicar seriamente o mercado, a Nordea nomeia em primeiro lugar da lista a escalada das tensões geopolíticas nos “pontos quentes” atuais, que é como quem diz, na Ucrânia, Gaza, Síria, Iraque e Líbia. Isto afetaria negativamente a confiança e poderia suscitar uma escalada dos preços do petróleo. No que diz respeito à política monetária, o principal risco é que as taxas de juro subam mais do que o esperado pelos mercados.  “Potencialmente, poderia provocar um aumento do protecionismo”, assinalam.

Os restantes riscos distribuem-se por países ou regiões, assinalando-se: uma expansão da crise nos países emergentes como consequência do regresso à ortodoxia monetária em países desenvolvidos; que rebente a bolha imobiliária na China; que a incerteza política e/ou regulatória nos EUA continue a reprimir os investimentos  empresariais, e que volte a aparecer a crise na Europa, com o sector financeiro como ponto de contágio por eventuais maus resultados na avaliação da qualidade dos ativos bancários (AQR) que estão a ser levados a cabo pelo BCE.

O efeito setembro

Todos estes perigos eminentes acrescentam-se às advertências realizadas por Russ Koesterich, diretor de estratégia da BlackRock, na sua última revisão semanal dos mercados. A primeira é que as condições de mercado se tenham desenvolvido o suficiente para que se produza um aumento de volatilidade.

Koesterich salienta neste sentido que a volatilidade média registada em agosto foi 15% superior aos níveis dos três meses prévios. Um dos possíveis efeitos desta escalada é que se intensifique a atenção dada à primeira subida de taxas da Reserva Federal durante anos. “Marginalmente, é provável que as condições monetárias mais estritas apoiem a tendência de uma volatilidade mais elevada”, considera o especialista.

O representante da BlackRock também tem como presente a escalada do risco geopolítico como outra possível fonte de volatilidade: “Embora os investidores estejam cada vez mais a fazer ouvidos moucos à progressão do conflito na Ucrânia, na medida em que a situação se continua a deteriorar, é provável que aconteça um volte-face abrupto no momento vivido pelas ações”.

A segunda advertência requer alguma história para que seja posta em contexto. “Estamos a aproximar-nos de um período historicamente baixo para as ações. Geralmente temos pouca fé nas tendências sazonais, já que a maioria apenas são ruído estatístico”, explica o estratega antes de acrescentar que “setembro, no entanto, parece diferente. Olhando para os dados dos EUA dos últimos 100 anos, setembro destaca-se estatisticamente como sendo o mês com um record significativo de rentabilidades pobres”.

“O que é interessante é que esta tendência não só acontece nos EUA, mas também em mercados mais longínquos como a Alemanha, Reino Unido e inclusive Japão”, sublinha o especialista. Contudo, acredita que há possibilidade de rally natalício por causa da confluência de uma recuperação mais forte, por causa da baixa inflação e ainda por causa das taxas extraordinariamente baixas das treasuries. Mas, para o curto prazo, Koesterich termina com uma advertência: “A sazonalidade negativa e a complacência em relação aos crescentes riscos geopolíticos sugerem-nos que os investidores devem tomar precauções durante o outono”. 

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