O dinheiro “poupado” pelos governos com os programas de flexibilização monetária


“O recente rally nas obrigações tem sido ótimo para qualquer investidor que detenha obrigações soberanas. Mas também tem sido favorável para qualquer pessoa que queira vender obrigações soberanas”, dizem Joshua McCallum e Gianluca Moretti, economistas da UBS Global Asset Management, no seu mais recente Economist Insights.

Os dois especialistas recordam que os maiores vendedores de obrigações soberanas são os próprios governos, o que acrescenta uma grande vantagem para os bancos centrais. Estes últimos, dizem, “podem estar gratos por esta ‘bonança’ devido aos programas de quantitative easing que têm executado”. Indicam mesmo que “alguns economistas referem-se ao QE como uma política ‘quase fiscal’ por causa dos benefícios, precisamente fiscais, que representam para os governos.

Na opinião dois dos economistas da UBS Global AM “os benefícios das baixas taxas de juro podem ser medidos olhando para quão mais altos seriam os pagamentos dos juros da dívida soberanas se as taxas de juro não tivessem mudado durante o ano passado”. E os montantes falam por si:

Referem-se a casos concretos: “A Itália é uma das grandes beneficiárias, com uma poupança de juros que ronda os 0,6% do PIB”, indicam, concluindo que apenas por via da queda do custo de financiamento “a Itália alcançou mais de metade do seu plano de ajuste fiscal”. Em casos como França ou Alemanha a poupança foi menor, apontam, porque emitiram montantes de dívida menores.

No entanto, esta poupança na taxa de juro é apenas um efeito indireto do QE. “Existe um efeito mais direto que irá beneficiar os governos”, dizem, explicando que “por causa da maneira como o QE está desenhado na Zona Euro, os balanços dos bancos centrais vão ter a maioria da exposição a potenciais perdas nas obrigações que adquirem”.

Dos planos do BCE em relação ao QE, atualmente, fazem parte a compra de 12% do mercado de obrigações soberanas europeias nos próximos 18 meses. A pergunta que os dois profissionais fazem é: “Quem vai querer vender-lhe as obrigações?”. Indicam que “os bancos centrais estrangeiros querem continuar a manter as suas reservas, e os Bancos precisam de cumprir os requisitos governamentais. Já os fundos de pensões têm de responder perante as suas responsabilidades”. Resta, por isso, espaço para os fundos de investimento e emitentes de bancos centrais, que não sejam estrangeiros, para poderem vender as obrigações.

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