O detector de "bolhas especulativas" da Pioneer Investments


Sol. Calor. Nem uma nuvem no horizonte. Parece o cenário perfeito muito embora, por algum motivo, tudo nos leve a suspeitar que nalgum sitio se está a gerar a tempestade. Isto parece ser o pensamento dos mercados perante a observação dos índices de volatilidade: demasiada calma durante demasiado tempo. “A história ensinou-nos a desconfiar dos períodos em que se regista uma volatilidade excepcionalmente baixa, uma vez que costumam ser o prelúdio de violentos surtos de turbulência”, adverte Giordano Lombardo, CIO da Pioneer Investments, na sua última carta mensal.

Onde vê mais risco? Lombardo assinala três classes de ativos: as obrigações soberanas ‘core’, os mercados de crédito e, sobretudo, as ações dos EUA como as classes de ativos onde existe maior probabilidade de se verificar uma bolha especulativa. Relativamente às obrigações, o diretor de investimentos considera inútil tentar adivinhar se o crescimento económico ou as taxas de juro se vão manter abaixo da sua média histórica nos próximos anos, pelo que “não nos parece que recomendável construir a estratégia de investimento em torno desta ideia”. “Tendo em conta a melhoria das condições económicas nos Estados Unidos, estamos convencidos de que as taxas de juro reais estão demasiado baixas relativamente ao momento do ciclo e esperamos uma reversão para a média”, continua Lombardo “o que terá impactos negativos para as obrigações soberanas ‘core’, cujas rentabilidades continuam próximas dos mínimos”.

O mercado de crédito também não está nos “melhores dias”. “As valorizações são cada vez menos atrativas e os diferenciais continuam a estreitar-se em todo o especto de qualidade de crédito”. Ao especialista preocupa-lhe que, com as taxas de juro oficiais próximas de 0%, os investidores estejam a procurar rentabilidade em qualquer sítio, o que tem vindo a provocar “taxas de incumprimento artificialmente baixas: empresas para as quais teria sido difícil aceder ao mercado de crédito no passado e que agora se conseguem financiar sem problemas”. Não obstante, a situação poderá alterar-se rapidamente, dado que a liquidez do mercado se está a reduzir.

No que refere às ações, “os nossos modelos de avaliação indicam que a Europa e certos mercados emergentes, como a China, continuam a oferecer oportunidades de investimento mais interessantes, enquanto que a bolsa norte-americana se revela menos atrativa em termos de valorização, liquidez e lucros das empresas”. Conforme explica Lombardo, as empresas norte-americanas não financeiras estão a usar o excedente em cash, acumulado nos seus balanços, para recomprar ações ou participar em operações de fusões e aquisições em vez de investir em capex. “Estes fluxos de caixa estimularam a procura de ações e empurraram as bolsas para terreno positivo embora isto não se tenha traduzido num forte estímulo para a economia real, condição necessária para sustentar as rentabilidades futuras”. Com os lucros corporativos em máximos (em comparação com o PIB dos EUA), Lombardo acredita que “o potencial de crescimento dos lucros é limitado porque as margens se estão a tornar insustentáveis. O risco de uma decepção no crescimento dos lucros ameaça a continuação do rally”.

De que forma se traduz isto na estratégia de investimento da Pioneer? “Baseando-nos no nosso cenário principal, acreditamos que a melhoria da economia mundial e a persistente repressão financeira exercida pelos bancos centrais vão continuar a apoiar os ativos de risco”, sublinha o CIO. Contudo, na casa transalpina são esperadas rentabilidades cada vez mais baixas para as principais classes de ativos, o que os levou a aplicar um enfoque mais defensivo e a cobrir os riscos que assumem ser mais prováveis: a deflação na Europa e uma mudança brusca na política monetária dos Estados Unidos.

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