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"O cenário tem sido bastante favorável para as estratégias alternativas"


Recordando que os primeiros meses deste ano foram bastante focados em tópicos como os “preços do petróleo, as mensagens da Fed ou os dados sobre a China”, Andrew Dreaneen, head of Schroder GAIA Product and Business Development, lembra que nos próximos meses veremos uma inversão do interesse, e a temática em destaque será o Brexit conjuntamente com as eleições nos EUA. É neste contexto que a Schroders veio a Lisboa para responder ao repto: “Porquê estratégias alternativas com liquidez, agora?”.

“Em termos gerais, podemos dizer que o cenário tem sido bastante favorável para as estratégias alternativas, muito embora quem siga de perto este mercado esteja ciente de que o ano tem sido desapontante para a performance destes produtos”, começou por referir o especialista. Alertou, contudo, que o futuro poderá ser diferente: “Não acreditamos que estes meses sejam representativos do que está para vir na indústria de hedge funds”. Os investidores europeus hoje em dia têm mais de 800 mil milhões de euros investidos em hedge funds, e apenas 164 mil milhões de dólares em hedge funds UCITS.

Os grandes provedores atualmente

Atualmente podem destacar-se três grandes provedores de alternativos líquidos: os long only asset managers, os convergence asset managers e por fim os hedge fund managers. Segundo o especialista, 30% do ativos estão no primeiro tipo de provedores, 45% pertencem aos convergence asset managers (onde se inclui a Schroders), enquanto a fatia restante de 25% é aquela que está alocada aos hedge fund managers. Dependendo da base de dados considerada, o especialista referiu aos presentes que no mercado existem entre 400 e 700 opções ao nível das estratégias alternativas com liquidez. Em termos futuros, do que apelida ser o ‘hedge fund club’, que reúne pelo menos cerca de 5 mil milhões de dólares, o profissional espera que os hedge funds sediados nos EUA lancem hedge funds UCITS em 2016.

Com mais de 16 mil milhões de dólares em ativos sob gestão em alternativos com liquidez, o especialista apontou as capacidades que a gestora apresenta a esse nível. “Todos os anos esta lista fica mais longa”, destaca o especialista perante um slide onde estão discriminadas as diferentes plataformas UCITS alternativos, em torno das 25 atualmente. No caso da plataforma GAIA, a Schroders continua “a ser bastante seletiva”, tendo falado com mais de 2.000 gestores nos últimos sete anos, dos quais selecionaram sete. “Estamos orgulhosos de nós próprios por sermos a maior plataforma em termos de ativos médios sob gestão” refere Dreaneen, acrescentando: “não queremos ter um ‘all you can eat buffet’, mas sim oferecer produtos adequados à conjuntura”. O produto CTA (Commodity Trading Advisor) apresentado na conferência - o Schroder Gaia Bluetrend - é um exemplo disso: “uma estratégia que temos vindo a pensar há 6 anos, e lançámos no final do ano passado, já que somos muito crentes em estratégias de investimento quantitativo. Com as pessoas a começarem a perceber que o mercado é mais dirigido pelo sentimento do que pelos fundamentais, os ‘quants’ tendem a mostrar uma boa prestação neste contexto”.

Contrariando todo um conjunto de argumentos que favorecem os produtos non-UCITS VS os equivalente produtos UCITS, como a flexibilidade da gestão, o head dos produtos GAIA apresentou à audiência uma representação gráfica dos índices de hedge funds offshore (HFRI) e UCITS (HFRU), de onde concluiu que “o investidor podia adormecer em 2008 e acordar no presente e acharia que tinha o mesmo produto”. Adicionalmente, os produtos UCITS apresentam a vantagem que em períodos de volatilidade, como a última recessão global, dadas as suas características de liquidez, não foram penalizados do mesmo modo que os restantes hedge funds. O drawdown máximo no período foi de apenas 6,7%, que compara com 20,1% dos fundos offshore.  Com um tracking error reduzido face aos seus equivalentes offshore, o objetivo dos produtos GAIA é, segundo Dreaneen,  “proporcionar aos investidores um experiência muito semelhante à dos fundos offshore”.

Por último, mas não menos relevante, a questão dos fees e compressão dos mesmos. “Estamos a ver esta situação a acontecer por parte de muitos investidores”, refere o especialista, acrescentando que “se um gestor está a dar um retorno anualizado de 2% e cobra um fee de gestão de 2% com 20% de fee de performance, não é uma receita muito boa no longo prazo, o que faz com que os gestores com retornos menores tenham que enfrentar essa questão. No entanto, muitos gestores com fundos ‘hard-closed’, a cobrar 3%/30%, sem anos negativos e alpha positivo, não estão a sentir essa pressão. A pressão nos fees surge quando a performance não está lá.”

A oferta

O primeiro fundo apresentado por Andrew Dreaneen no evento  está à responsabilidade da firma de investimentos norte-americana Sirios Capital. Integrado na plataforma Gaia da Schroders a partir de fevereiro de 2013, é um produto com um carácter de retorno absoluto, pelo que apresenta uma baixa correlação com os mercados de ações e uma baixa participação histórica no downside de mercado. A gestão é efetuada numa base fundamental, bottom-up, e aposta, principalmente, em posições longas e curtas de ações de empresas norte-americanas, com um enfoque em mid e large-cap, net long. A exposição líquida ronda tipicamente os 50%, mas é significativamente reduzida durante períodos de stress nos mercados. O produto tem a possibilidade de investir também na Ásia e Europa.

Apesar de ser um fundo de ações, a gestão apostou oportunisticamente – por exemplo, nos períodos posteriores às duas últimas recessões - em instrumentos de fixed income e ações preferenciais, capitalizando na experiência do Co-fundador da Sirios e gestor do fundo, John Brennan.

Seguiu-se a Investor Relations Europe da Systematica Investments, Esther González, apresentando o segundo produto da manhã: o Shroder Gaia BlueTrend. Apresentou a Systematica como uma empresa com mais de 10,2 mil milhões de dólares sob gestão, distribuídos em quatro estratégias sistemáticas, e desses, 8,1 mil milhões em estratégias de ‘trend-following’ das quais faz parte o produto GAIA BlueTrend. Com o recurso a contratos de futuros, a gestão utiliza diferentes indicadores de tendência, considerando diferentes horizontes temporais, em mais de 150 mercados e diversas classes de ativos na tomada de decisão de investimento. A dimensão das posições é definida por uma combinação de força do sinal de tendência e volatilidade de mercado.

Por fim, tempo para falar do produto gerido por Steve Cordell, o Schroder ISF European Equity Absolute Return Fund, uma estratégia de retorno absoluto que investe em ações europeias. Com base na análise da sensibilidade dos resultados das empresas ao ciclo económico e um conjunto de indicadores antecedentes, a gestão aloca o risco da carteira com base na fase do ciclo em que se encontra. A seleção de títulos é pragmática, combinando uma visão top-down com rácios baseados nos resultados, evitando um bias permanente do estilo de investimento. A carteira apresenta uma elevada diversificação geográfica e uma reduzida exposição individual (tipicamente <5%). A exposição liquida ronda tipicamente os 50% (com uma flutuação de +-25%).

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