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“O ano de 2013 não se voltará a repetir”


No atual contexto dos mercados, uma das perguntas que se impõem tem a ver com a atratividade das ações e os seus impulsionadores para o futuro. O Global Market Strategist da J.P. Morgan Asset Management, Andrew Goldberg, esteve em Lisboa no passado 24 janeiro, e, em entrevista à Funds People, falou sobre este tema, não deixando de lado assuntos como o risco de deflação em alguns países, e a provável subida das taxas de juro.

“A conversa sobre ações era bastante mais fácil se fosse tida há um ano atrás”, começou o responsável pela publicação “Market Insights”, da J.P. Morgan AM. O especialista realça que apesar de nessa altura as ações estarem baratas, atualmente também não é correto dizer-se que estão caras. “O cyclical adjustment P/E ratio tem vindo a ganhar popularidade, e tem atraído muitas atenções, porque faz parecer por exemplo o mercado de ações norte-americano 45% sobrevalorizado”. Andrew Goldberg, discorda portanto dessa ideia, e diz mesmo que “os últimos 10 anos foram difíceis, e os ganhos conseguidos durante esse período de tempo não vão ser necessariamente representativos dos ganhos dos próximos dois anos”.

O especialista avisa que daqui para a frente o percurso nas ações tem de ser feito de forma mais ponderada, “avaliando a distância de caminho que ainda pode ser percorrido”. Para Andrew Goldberg uma coisa é certa: “o ano de 2013 não se voltará a repetir”. Por isso, o cenário nas ações depende essencialmente de três factores específicos. Em primeiro lugar, depende dos lucros, que o especialista considera que vão subir. Também importantes são os “sentimentos” dos próprios investidores, já que são eles que conduzem os P/E. “Se um consumidor se sentir otimista vai estar disposto a pagar mais por algo que tem maior risco”, explicita. Finalmente, o último factor é, obviamente, o crescimento global da atividade económica.

Dólar a fortalecer-se

Outra questão que se impõe por esta altura, e que figura na “cabeça” dos mercados tem a ver com a subida das taxas de juro. A este nível o especialista da J.P. Morgan diz que é necessário especificar-se que taxas de juro vão subir. “Eu não acredito que a Fed aumente o target das taxas de juro no curto prazo, pelo menos durante um ano. As de longo prazo já acredito que irão aumentar, mas essas são controladas pelo mercado e não pela Fed”, refere. Na Europa, o especialista acredita que não haverá uma pressão maior nas taxas de juro de longo prazo, já que “não existe um problema real de deflação”. No que diz respeito às moedas, numa perspetiva de “dólar vs euro”, Andrew Goldberg refere que as mecânicas e drivers cambiais são algo muito inesperado. Apesar dessa incerteza, para o especialista a resiliência do euro a que se assistiu nos últimos dois anos, pode estar a mudar. “Com a economia norte-americana a fortalecer-se, e com a continuação do tapering, isso irá impulsionar o dólar”, refere, acreditando que o “dólar irá ganhar algum crescimento em relação ao euro, mas de uma forma muito “ordeira””, finaliza.

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