O agosto mais forte dos últimos cinco anos nos fluxos de ETFs


Num mês carregado de notícias negativas para muitos dos produtos financeiros em geral, a BlackRock, no seu último BlackRock global ETP Landscape, dá conta de um agosto muito positivo pelo menos para os fluxos de entrada nos ETPs globais.

Segundo o que relata a entidade no documento, os ETPs a nível mundial assistiram a uma entrada de 17,2 mil milhões de euros, o que configura o agosto mais forte dos últimos cinco anos. Os principais vectores de resiliência foram os produtos que replicam os índices bolsistas de mercados desenvolvidos com exceção do mercado norte-americano, mas ainda o mercado de obrigações.

No que diz respeito aos  ETPs do mercado europeu, a BlackRock dá conta de um mês favorável na exposição a ações europeias. “É o terceiro mês de sucesso numa cadeia positiva de resultados entre junho e agosto, com fluxos de 15,6 mil milhões de euros”, dizem da entidade, referindo que os dados “sugerem uma recuperação num momento que antecede o regresso do tema das ações europeias, que foram bastante populares durante o primeiro trimestre do ano, saindo ligeiramente do radar dos investidores em abril e maio”.

Marcha atrás nos mercados emergentes

Ao revés do sucesso nos produtos indexados aos mercados desenvolvidos, as estratégias que se “guiam” pelos mercados emergentes assistiram a resgates. O relatório justifica que “o declínio nos mercados de ações chineses, os dados económicos fracos e a desvalorização do renminbi trouxeram dúvidas sobre a economia chinesa, e conduziram a outflows nas ações de mercados emergentes”.

Ursula Marchioni, Head of ETP Research na BlackRock, comenta precisamente que  “os outflows nos mercados emergentes se intensificaram no último mês”, sendo agosto “o terceiro mês consecutivo de resgates relativos a este tema”, com “as preocupações em relação à China a prejudicarem o investimento a nível global, conduzindo a perdas significativas (de 21%) no MSCI Emerging Market Index durante o mês.

Novo balanço para os produtos Japão

Tal como aconteceu por exemplo no mercado nacional, em que os fundos de investimento estrangeiros que investem no Japão foram dos preferidos dos investidores, também ao nível dos produtos cotados existiram entradas positivas nos ETFs referentes a este mercado. Segundo o que refere a BlackRock, os ETPs cotados de Ásia Pacífico recolheram 5,1 mil milhões de euros, precisamente impulsionados pelos ganhos das bolsas japonesas.

ETFs domiciliado no Luxemburgo crescem

Informações recentes divulgadas pela Associação da Indústria de fundos do Luxemburgo (ALFI) mostram que  a indústria de ETFs domiciliados no país também vai de vento em popa. Aquele que é o segundo maior domicílio para os ETFs na Europa, com 465 fundos e cerca de 82 mil milhões de euros de ativos sob gestão no final de junho, continua, segundo a entidade, “a atrair ETFs vendidos numa base internacional, juntando cerca de 35% do total das autorizações na Europa para a distribuição transfronteiriça de ETFs”.

Entre as razões para o incremento estão factores como “a existência de um quadro legal e regulamentar que permite todos os tipos de estratégias – alternativas ou tradicionais, onde se incluem os ETFs”, bem como uma “qualidade do mercado de infraestruturas luxemburguês, que configura uma espécie de casa de uma das maiores estruturas implementadas em termos de ETFs”. 

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