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Nuno Pereira (BPI GA): “A Lone Star não está a investir para perder dinheiro, deve ter uma margem de segurança nos seus cálculos”


Depois de um longo processo de negociação, o Banco de Portugal e os restantes responsáveis pela venda do Novo Banco chegaram a um acordo com o fundo norte-americano Lone Star para a aquisição de 75% do capital do novo banco. Os compromissos foram diversos, mas o sucesso do negócio acaba por assentar na convicção de que os investidores em obrigações sénior do novo banco aceitarão a conversão desses instrumentos de dívida em outros, mais subordinados, elegíveis para os cálculos do capital Core Tier 1, num montante total de 500 milhões de euros. A European Banking Authority (EBA) publicou recentemente um update à lista atualizada dos instrumentos elegíveis.

Nuno Pereira, gestor de carteiras high yield na BPI Gestão de Activos e o homem ao leme do fundo de obrigações nacional mais rentável em 2016, o BPI Obrigações Alto Rendimento Alto Risco, responde a algumas questões sobre o processo:

Como acham mais provável que se desenhe este processo de troca de obrigações anunciado por António Costa na passada sexta-feira?

- O processo de troca de obrigações vai ser voluntário, pelo que o Governo e provavelmente a Lone Star, como maior acionista, já devem ter contactado um conjunto de obrigacionistas de referência de modo a saber as condições dos novos instrumentos de capital que estes estão dispostos a subscrever e a aceder a fazer a troca, para garantir o sucesso da mesma.

- No papel de investidores institucionais estariam dispostos a entrar nessa conversão? Quais seriam as condições mínimas para aceitar tal mudança?

Caso detivesse as obrigações sénior teria de ponderar a probabilidade de serem pagas na totalidade, a perda de liquidez inerente à diminuição das obrigações existentes devido à potencial aceitação dos outros detentores, bem como o perfil do produto onde essas obrigações estivessem, pois o produto pode não ter a capacidade, legalmente, de deter instrumentos com mais subordinação. À partida, concordaria com a troca. A Lone Star não está a investir para perder dinheiro, deve ter uma margem de segurança nos seus cálculos e para realizar lucros implica que estas novas obrigações, subscritas num momento de desconfiança, terão um bom desempenho.

- O que vos parece esta “condição” dos obrigacionistas serem convidados a capitalizar o banco nestes termos?

Num processo destes toda a estrutura de capital é afectada. Os obrigacionistas são envolvidos pois o tamanho dos passivos detidos vs o capital é significativo e é um modo de tentar dar alguma flexibilidade à estrutura de capital. Eticamente, especialmente para investidores privados não estou muito de acordo, pois subscreveram uma obrigação inicialmente que não tinha estes contornos nem se antevia a possibilidade de ser este o desfecho, no entanto é uma maneira de diminuir uma factura que já vai muito elevada e os credores são envolvidos nas restruturações com muita frequência em países com mais tradição de investimento em empresas de risco (High Yield).

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