Negócios da China


Nunca o investimento chinês em Portugal foi tão intenso como agora. A porta de entrada do investimento chinês no mercado português foi a privatização da EDP, no fim de 2011, no âmbito da qual a China Three Gorges adquiriu uma participação de 21,35% na companhia eléctrica lusa, por 2.693,19 milhões de euros, e ainda se comprometeu a financiá-la em 4.000 milhões de euros e a investir 2.000 milhões adicionais na compra de activos renováveis.

Desde então, os investimentos sucedem-se a bom ritmo, não só na área de energia - o sector que mais investimento chinês absorveu - mas também no segurador e de águas. No total, nos últimos dois anos, o investimento chinês em Portugal movimentou mais de 5.000 milhões de euros, o que coloca a China no ranking dos países cujo volume de investimento em Portugal é mais elevado.

A presença chinesa nos processos de privatização portuguesa tem sido constante. Meses após a privatização da EDP, a State Grid Corporation of China entra no capital da REN, com a aquisição de uma participação de 25% daquela por 387,15 milhões de euros.

Em Março do ano passado, chegou a vez da EDP Renováveis, que viu uma participação de 49% do seu capital passar para as mãos da China Three Gorges por 359 milhões de euros. No mesmo mês, o Beijing Enterprises Water Group comprou à francesa Veolia Water a lusa Compagnie Générale des Eaux Portugal, por 95 milhões de euros.

Já em Janeiro deste ano, a chinesa Fosun venceu o processo de privatização da Caixa Seguros, adquirindo 80% do respectivo capital por 1.208,90 milhões de euros.

Esperam-se novos investimentos, à medida que vão sendo tornado públicas novas intenções de compra. Os grupos chineses Sound Global e Beijing Enterprises Water Group estão na corrida pela privatização da EGF, sub-holding da Águas de Portugal para a área de resíduos sólidos urbanos, avaliada em cerca de 200 milhões de euros. O grupo Fosun, por outro lado, admitiu publicamente pretender apostar no mercado português, nos sectores imobiliário, de turismo, saúde e produtos de marca.

Também a chinesa Hanergy Solar revelou estar a estudar a aquisição de parques de energia solar em Portugal. Já a China Mobile, o maior operador mundial de telecomunicações móveis, iniciou o processo de análise ao ambiente macroeconómico de cinco países a fim de neles efectuar investimentos, tendo entre eles destacado Portugal, onde o nome da Portugal Telecom tem sido o mais apontado como provável candidato, dada a sua presença internacional tanto em África e no Brasil. Podemos, então, esperar importantes movimentações de empresas chinesas em Portugal.

No universo de private equity e venture capital, a manter-se a tendência do último ano, privilegiar-se-ão os sectores tecnológico, metalúrgico e de produção industrial. Adivinham-se, parece, tempos interessantes.

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