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Navegar por mares agitados? O Barclays incitou a BlackRock a conduzir essa viagem


Se no ano passado o Barclays e a BlackRock se associaram com o objetivo de dar aos clientes do banco um olhar sobre a reforma, este ano o tema que juntou as duas entidades foi mais vasto. André Themudo, ‘sales’ da gestora  internacional para o mercado ibérico, depois de uma pequena introdução sobre a história da BlackRock, foi direto ao assunto que o reuniu ‘frente-a-frente’ com uma sala cheia de clientes do segmento affluent e private do Barclays, bem como com colaboradores da instituição. Subordinado à temática “Como navegar em mares agitados”, o profissional começou por lembrar que “o binómio rentabilidade/risco dificilmente é cumprido”. No que toca ao ano de 2015 frisou que se na primeira metade do ano “foi praticamente impossível não obter rentabilidades positivas”, no terceiro trimestre aconteceu um volte-face por causa de dois factores em específico. Por um lado “a desaceleração da China” e, por outro lado, a incerteza relativa à “decisão da Fed em subir ou não as taxas de juro”. A maior parte das classes de ativos reagiram em consonância com estes factores, diz André Themudo, embora acredite que “existiu uma sobre-reação dos investidores em geral”.

Sinal + para Europa

Com este cenário criaram-se alguns pontos de entrada interessantes. Da BlackRock o profissional apontou como exemplo o caso europeu que “reflete um mar de oportunidades”. Estão, por isso, positivos para o mercado acionista do velho continente, também muito por via do residual impacto que a desaceleração da economia chinesa teve nas empresas europeias. “Os EUA estão a transacionar com um PER maior que na Europa . Isto significa que existe aqui uma amplitude no mercado que podemos aproveitar. De facto as empresas europeias estão muito mais baratas do que as empresas americanas”, reiterou o profissional aos presentes. Outro factor que suporta a visão mais positiva da gestora internacional em relação às ações europeias tem que ver com a “confiança dos investidores, que está em máximos dos últimos 4 anos”. Por último, Themudo evidenciou igualmente o “importante suporte do BCE em relação às ações europeias”, que também os faz estar positivos em relação a este mercado.

No que toca às ações norte-americanas a BlackRock mostra-se mais prudente e seletiva, sendo dois os grandes sectores de preferência. O sector financeiro é um deles, porque “existe uma relação positiva entre o comportamento de empresas financeiras e o comportamento das taxas de juro”, refere, explicando que “quanto mais altas estão as taxas de juro, à partida, melhores são os resultados dos bancos”. O segundo sector de preferências é o da tecnologia, em que a BlackRock vê valor por causa do preço, em primeiro lugar, já que as empresas deste sector “estão muito mais baratas do que já estiveram em tempos”. Em segundo lugar indica que estas são empresas que “necessitam de muito menos recursos para desenvolver a sua atividade”. Por último, a justificar esta preferência, refere que “são empresas muito flexíveis e ágeis”.

Japão “all in”

No que toca ao Japão a BlackRock continua a identificar valor no país, por via do que André Themudo apelidou de “tempestade perfeita”. Os estímulos que o Banco Central do Japão continua a injetar são positivos para a economia do país, com a desvalorização da moeda a acontecer. “As empresas nipónicas são muito mais competitivas agora e apresentam resultados muito melhores”, enfatizou, destacando também que atualmente as empresas estão “mais capazes de distribuir dividendos”.

Outro dos motivos que leva a entidade a estar positiva relativamente ao país do sol nascente, tem que ver com as mudanças exigidas aos fundos de pensões. “As diretivas do Fundo de Pensões Governamental do Japão têm como objetivo um aumento na alocação em acções locais de 12% para 25%”, lembrou, constatando o maior volume de dinheiro a entrar nas empresas do Japão.

Por fim, num olhar relativo aos mercados emergentes, foi destacado o universo de países em que veem algumas vantagens. “Estamos relativamente positivos em China, muito positivos na Coreia e em Taiwan, bem como na Índia”, destacou, acrescentando que em quase “tudo o resto estão com um outlook mais negativo”. Neste sentido deixou ainda a ideia de que na BlackRock fazem, ao nível dos países emergentes, uma divisão entre importadores e exportadores de petróleo, beneficiando mais, à partida, os que importam esta matéria-prima.

No final da apresentação, e depois de deixar aos presentes a importância da máxima de diversificar, foi ainda feita uma pequena menção ao fundo BGF Global Multi Asset Income Fund. Um fundo que é uma “solução de investimento que se adapta muito bem ao mercado português porque até há cinco anos os investidores estavam habituados a depósitos que pagavam até 5%”. Este produto, disse ainda, “procura precisamente dar uma distribuição trimestral de rendimentos entre os 5% e os 6%”.   

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