“Não temos elevada exposição a dívida pública de países periféricos”


Os investidores procuram três principais características na dívida pública,de acordo com Owen Murfin, responsável de crédito da BlackRock: "activos muito líquidos que servem como alternativa para a própria liquidez ('cash'), decorrelação com acções e eliminar qualquer possibilidade de incorrer em perdas do capital inicial", explica.

No entanto salienta que a dívida dos países periféricos da Europa, em específico a espanhola e a italiana, parecem não preencher esses requisitos. Assegura, por exemplo, que "a dívida espanhola não é suficientemente líquida, a sua evolução está muito ligada às bolsas e o retorno não é totalmente garantido, porque, embora a probabilidade de reestruturação ou suspensão dos pagamentos seja muito pequena, é uma possibilidade real ".

Para Murfin não seria prudente fazer uma alocação forte a estes mercados, devido às oscilações que se têm verificado tanto ao nível da rendibilidade como da volatilidade, comparativamente à dívida pública de outros países. Contudo, também não acredita que a chave esteja nos retornos negativos em mercados de maior qualidade. A resposta, na sua opinião, passa por assumir mais riscos associados ao crédito, apostando em dívida corporativa tanto 'investment grade' como 'high yield'.

Mesmo no campo corporativo tem dificuldade para encontrar nomes que não estejam afectados pelo risco país. Assim, a resposta da carteira inicial do fundo de obrigações internacionais que a BlackRock vai começar em co-gestão com a Pimco, sob o mandato da Fineco (Fon Fineco Renda Fija Internacional), tem apenas uma exposição de 5% a Espanha e, um pouco superior, 11% a Itália, porque acredita que os problemas de Itália são diferentes.
Murfin menciona o défice, o maior risco e as tensões sociais como elementos desfavoráveis em Espanha: "As pessoas são ricas, enquanto o governo é pobre, o que aumenta a probabilidade de subidas de impostos, com as consequentes tensões e protestos", diz.

Embora acredite que a forte volatilidade dos preços já foi descontada, considera que o foi apenas em parte, permanecendo forte na dívida pública e menos intensa na corporativa.
 

Compras nas últimas semanas

A Pimco, outra co-gestora do fundo, é também muito cautelosa relativamente à dívida dos países periféricos. Ryan Blute, responsável de crédito da gestora, assegura que começaram a comprar dívida pública desde que o BCE mostrou o apoio aos países com problemas, em Setembro, centrando-se em obrigações com maturidades inferiores a três anos. “Alguns países não têm problemas estruturais; simplesmente necessitam uma ajuda e com esta atitude do banco central, senti-mo-nos mais confortáveis”, refere. Todavia, Blute não descarta a possibilidade de nos próximos anos algum país sair do euro. 

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