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“Não acredito que haja uma bolha imobiliária no país como um todo”


Como está a ver a crise nos mercados emergentes?

A crise dos emergentes tem afetado praticamente todas as parte do globo. Os emergentes estão a viver um processo gradual de política monetária com menos liquidez. Os “cinco frágeis” – Brasil, África do Sul, Turquia, Índia e Indonésia – apresentam alguns dados comuns como por exemplo a queda das suas moedas, com a iminência do início da retirada dos estímulos monetários pela FED. Ainda assim, acredita que os mercados já ajustaram desde do anúncio da FED, em maio passado.

A taxa Selic vai continuar a subir em 2014?

Acredito que o ajuste ainda não terminou, mas prevemos que se possam reduzir os ritmos dos aumentos da taxa. Existem três grandes fatores que ajudam a evolução da taxa Selic: inflação, taxa de câmbio e política fiscal. Sobre a política fiscal pensamos que é vital que haja um compromisso governativo de austeridade que possa  ajudar o Banco Central a moderar a demanda doméstica; sobre a inflação acreditamos que, apesar de estar alta, está dentro do tolerável sem atingir o tecto proposto pelo governo e que pode melhorar a curto prazo. Já a taxa de câmbio só irá contribuir positivamente se não continuar muito pressionada.

Existem algumas notícias que afirmam que há uma bolha imobiliária no país. Qual a sua opinião?

Não acredito que haja uma bolha imobiliária no país como um todo. No entanto, houve um grande aumento dos preços nalgumas regiões e cidades. Também o crédito imobiliário tem estado a crescer. Em 2010 representava cerca de 2% do PIB, já em 2013 o valor chegou aos 7%. Os bancos continuam muito criteriosos na concessão de crédito, já que emprestam cerca de 70% a 80% do valor do imóvel.

Qual será o impacto do Mundial de Futebol e das Olimpíadas no Brasil?

Acredito que o impacto mais importante da Copa será ao nível da credibilidade do Brasil no exterior. Até porque a atividade económica está muito incerta já que durante o período da competição muitos serviços vão parar. Já sobre as Olimpíadas as obras já começaram, no entanto, o impacto será mais localizado do que a Copa.

Como vê o futuro do Brasil?

O Brasil tem um grande futuro à sua frente, com um enorme potencial de crescimento. As bases desse crescimento devem ser feitas à base da educação e das infraestruturas, como tem sido feito até agora. Sobre a educação o país tem apostado no ensino superior. Fruto disso é a aposta no crédito estudantil. Como primeiros resultados, temos visto um grande abrandamento do desemprego juvenil. Sobre as infraestruturas, o país está a modernizar-se na grande maioria dos aspetos. No entanto,  por haver pleno emprego, o Brasil terá de apostar na produtividade e  competitividade como motores do crescimento.

Qual o grande desafio para 2014?

O grande desafio para o Brasil, nos próximos tempos, vem da modernização da sua política fiscal. A redução do juro real a longo prazo é vital para o futuro do país e só uma política fiscal efetiva poderá ajudar a reduzir o prémio de risco do Brasil.

 

(Imagem: Trading Floor do BTG Pactual)

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