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Mudanças no governo Francês: o que vislumbra a Pioneer e a Natixis


Nova reorganização do governo de Hollande em pouco mais de dois anos. Depois da crise interna provocada pelas críticas ao curso económico traçado pelo executivo francês – e que levaram o primeiro Manuel Valls a apresentar a demissão do seu governo – a França conta desde terça-feira passada com um novo gabinete no qual se repetem praticamente todos os ministros, com exceção dos três casos mais graves: Arnaud Montebourg, até agora ministro da Economia, Benoit Hamon, responsável pela pasta da Educação e Aurélie Filippetti, ministra da Cultura.

“A mudança mais relevante é a contratação de Emmanuel Macron como ministro da Economia”, assinala Philippe Waechter, economista chefe da Natixis Asset Management (filial da Natixis Global Asset Management). Macron era até há uns dias atrás, secretário-geral adjunto da Presidência, contando com experiência na área financeira depois de ter passado pelo Rothschild, tendo também exercido funções como assessor económico de Hollande. É também o autor de uma das medidas estrela do presidente francês: o “Pacto de Responsabilidade”, “um conjunto de medidas orientadas para reduzir a carga fiscal sobre as empresas, de forma a melhorar a sua rentabilidade, e com o objectivo de que as empresas possam melhorar a sua situação, criando condições para que o investimento se una ao ciclo económico mundial”, explica Waechter. Para o profissional a nomeação de Macron contribuirá para que a mensagem do governo francês – desde Hollande até Valls, sem esquecer o ministro das finanças, Michel Sapin – seja mais homogénea, tanto dentro da França como na União Europeia. 

Tanguy Le Saout, diretor de obrigações europeias da Pioneer Investments, começa por recordar que a França foi um oásis quase sem problemas durante a crise europeia. “O país não sofreu muito durante a crise Europeia, comparando com outros países, como é o caso de Espanha”, lembra, acrescentando que por causa dessa condição o país “não tinha muitas reformas para concretizar”.

Ainda assim foram feitas algumas reformas complicadas, tais como o pacto de competitividade, não se tendo completado a de pensões. “Atualmente, nas sondagens, Hollande sai mal posicionado, mas a França está ciente de que há muita coisa por fazer que exige coragem política”, diz Tanguy Le Saout.

Acelerar reformas

Reforçando também a ligação próxima que Emmanuel Macron tem a Hollande, o especialista da Pioneer entende que o novo ministro aparece precisamente com o intuito de acelerar as reformas ainda por realizar. O profissional da Pioneer indica que Macron “é uma pessoa muito prática”. Por isso, “esta contratação confirma um movimento ao centro e uma possível aceleração das reformas”, infere da Pioneer, referindo ainda que “no entanto, os principais avaliadores da decisão são os mercados, que vão ter mais em conta os factos do que as intenções”.

no mercado de obrigações, Tanguy Le Saout acrescenta que “o impacto desta mudança foi quase nulo”. França não é dos países de eleição da Pioneer, “especialmente durante este ano por causa do seu mau comportamento no tema do défice. O diferencial entre obrigações francesas OAT e as obrigações alemãs estreitou-se com a notícia, mas é algo marginal. Neste contexto de mercado, os diferenciais entre os países estão mais ligados a fluxos monetários do que aos fundamentais”.

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