Mobius pede paciência com a Ásia


Investir numa multiplicidade de mercados e empresas (como é o caso da equipa de mercados emergentes da Templeton) faz com que a determinado ponto possa parecer que esse investimento está a render menos do que o esperado, ou então possa estar a funcionar melhor do que qualquer índice de referência em específico.  “Claro que gostaríamos que todos os nossos investimentos subissem, mas, ao mesmo tempo, gostávamos também de encontrar continuamente novos negócios para o investidor. Desta forma, ter todas as ações investidas num determinado mercado, ainda que estas subam, não é necessariamente bom, principalmente quando se está à procura de valor”.

Mark Mobius, Presidente da Templeton Emerging Markets, reconhece a necessidade da convicção perante eventuais contratempos de curto prazo, quando o investimento é de longo prazo.  “Aceitamos estes inconvenientes como oportunidades para acelerar potenciais negócios. Infelizmente parece que este ano muitos investidores não têm paciência, e podem estar a perdê-la com alguns mercados emergentes na Ásia: a China é talvez o exemplo mais claro”, afirma o guru.

De um ponto de vista macroeconómico, o otimismo de Mobius em relação ao grande potencial a longo prazo dos mercados asiáticos baseia-se em três factores principais. “Comparando com os mercados desenvolvidos, os emergentes têm registado maiores taxas de crescimento económico e as expectativas de crescimento para o próximo também são grandes. O FMI projeta um crescimento de 6,5% nos países em desenvolvimento asiáticos em 2014, comparando com 2% nos mercados desenvolvidos em geral”, indica.

O segundo factor é o alto nível de reservas estrangeiras geralmente presentes nos mercados emergentes asiáticos, que excedem as reservas dos mercados desenvolvidos em geral. “As sólidas finanças públicas e privadas reforçam o potencial subjacente de crescimento económico”. Em terceiro lugar, o especialista da Franklin Templeton relembra que geralmente os níveis de dívida dos mercados emergentes asiáticos estão abaixo dos mercados desenvolvidos. A este factor Mobius acrescenta também o facto de a demografia dos emergentes ser mais favorável, já que a ásia emergente têm uma população mais jovem com menor relação de dependência, enquanto nos países desenvolvidos o envelhecimento é mais rápido.

“Sendo nós adeptos da seleção bottom-up nas ações, temos um maior enfoque nas empresas a nível individual. Temos identificado muitas empresas que apesar de estarem em mercados mais débeis, acreditamos que estão a fazer um bom percurso: estão a reduzir gastos, a fazer a racionalização das operações e a participar em fusões e aquisições. Muitas empresas de mercados emergentes estão a fazer aquisições não só noutros mercados emergentes mas também em muitos mercados desenvolvidos”, explica Mobius. Reaquisições de ações, aumento de dividendos e melhorias nas normas governamentais são outras políticas também positivas para os investidores.

“Somos investidores a longo-prazo e focamo-nos num horizonte de 5 anos. Temos paciência suficiente para esperar que o mercado reconheça o verdadeiro valor de uma empresa. Não vamos vender uma participação simplesmente por não estar a ser beneficiada num determinado momento de mercado. Só consideramos a venda de uma ação se o preço atual superar a nossa estimativa do seu valor total, se por outro lado existir um potencial maior noutro valor parecido, ou então se uma mudança numa empresa alterar os nossos prognósticos”, refere.

O caso da China

 “O comportamento do mercado acionista chinês foi decepcionante em 2013.  Muitos tentam atrasar o crescimento, mas certamente, a taxa de crescimento esperado para a China de 7–8% em 2013 é contudo impressionante, particularmente considerando que a base da economia cresceu dramaticamente durante a década passada. Espera-se que o crescimento da China abrande à medida que a sua economia cresça e se altere o modelo económico para um dominado pela parte doméstica em vez de impulsionado pelas exportações como no passado”.

Neste sentido, Mobius assinala que o mercado deu demasiado ênfase às divulgações de dados económicos a curto prazo, sem ter tido em conta o longo prazo. “ As reformas planificadas anunciadas na reunião plenária de novembro na China já tiveram um impacto positivo na confiança do investidor, a julgar pelo desempenho das ações chinesas e também das que estão relacionadas com a China”. Os acontecimentos chave incluem reformas esperadas em empresas públicas, reformas agrárias, reformas fiscais, a liberalização financeira, conservação ambiental e flexibilização da política de um filho único. A reforma do sistema “hukou” iria acelerar o sistema de registo familiar da China, que aponta para uma transição de residentes rurais para urbanos.

O caso da Índia e da Indonésia

 A Indonésia e a Índia são dois países que foram muito afetados pelas preocupações da redução de estímulos por parte da Fed, já que necessitam destes fundos para financiar os seus défices de contas correntes. Particularmente no caso da Índia, alguns deslizes em certas normas também fragilizaram a confiança do investidor. “No entanto, continuamos a acreditar no mercado indiano e esperamos que os seus líderes possam “segurar o barco”. Na nossa opinião, há demasiada burocracia, e as barreiras para o investimento no país são demasiado altas”.

Sobre a Indonésia a opinião da equipa da Templeton Emerging Markets não mudou. “Continuamos otimistas em relação ao mercado indonésio devido aos sólidos fundamentais apresentados pelo país a longo prazo. Por isso continuamos à procura de oportunidades no país, tendo em conta ações concretas. Continuamos à procura de ações indonésias subestimadas. Os líderes do país já reconheceram a necessidade de revitalizar a sua economia, e já anunciaram planos que permitem o investimento estrangeiro em aeroportos e portos, o que se pode considerar um passo positivo. Prevemos também iniciativas adicionais para que se facilite o investimento estrangeiro”.

O investidor deve esperar volatilidade

“Não podemos prever quando e como serão os altos e baixos do mercado. Mas uma coisa é certa: a volatilidade do mercado veio para ficar. O nosso enfoque está precisamente em procurar valor naquilo que vemos potencial a longo prazo, e onde eventualmente outros possam ter perdido a “fé”. Por isso há que continuar a ter paciência” , afirma o guru num artigo publicado no seu blog.

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