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MGA: “Um dos desafios para a segunda metade do ano será a trajetória das taxas de juro de médio/longo prazo”


Com um olhar no segundo semestre do ano, a Millennium Gestão de Activos (MGA) recorda que a primeira metade de 2015 trouxe notícias positivas para a economia europeia sob a forma “de depreciação do euro, redução dos custos energéticos e a recuperação do crescimento do crédito”, factores “que acabaram por afastar o espectro da deflação e provocaram o aumento das expectativas de inflação para os próximos 5 anos para valores acima da atual taxa de inflação subjacente (1,3%) e um ajustamento das taxas de juro reais esperadas a 5 anos para valores positivos”. Explicam também que “a correção das taxas de juro surpreendeu o mercado por ocorrer num contexto de compras por parte do BCE, provocando a redução de posições longas de forma agressiva”.

Os últimos dados sobre a economia do velho continente confirmam a evolução positiva e, por isso, a MGA entende que um “dos desafios importantes para a segunda metade do ano será seguramente a trajetória das taxas de juro de médio/longo prazo”. Embora transitório, entendem que outro dos problemas que pode ganhar forma no final do ano é a “dissipação do impacto da queda dos preços do petróleo nas taxas de inflação homólogas no final do ano”.

Subida das taxas nos EUA: desafio para breve

Face ao primeiro trimestre do ano, assinalam que a economia norte americana, por seu lado, tem recuperado nos últimos meses, o que reforça as expectativas de estar para breve “o processo de normalização das taxas diretoras na 2ª metade do ano”. Tal como outras entidades, também a MGA se pergunta sobre qual o ritmo e a dimensão dessa subida. “Qual a velocidade com que se dissipa o impacto do QE sobre o prémio associado ao investimento por prazos longos que hoje ronda 25 bps, mas cujo valor normal é de 120 bps?”, questionam, classificando este como um dos grandes desafios para o resto do ano.

E o que poderia ser classificado de um acontecimento económico surpreendente neste contexto? Da entidade nomeiam justamente “uma subida mais rápida e mais significativa das taxas diretoras dos EUA em resposta a um intensificar de pressões inflacionistas decorrentes da aceleração do aumento dos salários”, ou, por outro lado, “um inesperado hard landing da economia chinesa”.

Ainda no âmbito dos riscos a considerar nos próximos seis meses, da MGA olham com cuidado para “a evolução do mercado acionista”, por causa das “elevadas valorizações e da baixa probabilidade de expansão da margem”. Como não poderia deixar de ser, a Grécia é outro dos focos de problemas a monitorizar, porque se a incerteza se mantiver, a confiança dos agentes económicos pode começar a ser afectada nos restantes países da Zona Euro, mais concretamente na periferia, “travando a recuperação em curso”.

Europa e Japão: condições favoráveis

Para a entidade, o espaço para valorizações adicionais seja em que mercado de ações for é agora mais limitado, depois das “fortes subidas ocorridas na 1ª metade do ano”. Na perspetiva da casa, “os EUA defrontam maiores desafios dado estarem numa fase mais adiantada do ciclo económico”, ao passo que “na Europa e no Japão as condições monetárias persistem favoráveis, a recuperação está a consolidar-se, abrindo espaço para a melhoria da procura e expansão das margens”. Na China, por seu lado, a MGA entende que “as autoridades irão continuar a utilizar todo o arsenal de ferramentas de política monetária e económica ao seu dispor para suportarem o crescimento económico, o que tenderá a dar algum suporte às margens e à procura”.

Do lado dos ativos, a entidade acredita que para os ativos de risco - como as ações ou o crédito - “a perspetiva de subida de taxas de juro num contexto de crescimento económico positivo não é necessariamente negativa mas é, também ela, suscetível de traduzir-se em maior volatilidade dos preços”. Do lado do crédito europeu, “um excesso de nova emissões obrigacionistas”, mais concretamente de emitentes norte-americanos, pode “prolongar o movimento de aproximação de spreads em curso entre o mercado europeu e o dos EUA nos próximos meses”. Para a MGA, ao nível dos emitentes europeus, as condições fundamentais continuam benignas, “já que as empresas melhoraram a sua estrutura financeira, alongaram maturidades e, a nível operacional, a recuperação em curso tenderá a permitir a melhoria das margens e baixos níveis de incumprimento”.

Também para as ações europeias, o contexto descrito é favorável, e a ele pode juntar-se o “benefício de alguma realocação de ativos em favor da classe”. “À medida que o mercado começar a concentrar a atenção em 2016, é possível também alguma incerteza quanto ao grau de expansão dos resultados das empresas europeias, com a dissipação do impacto das flutuações cambiais a ser compensado pela melhoria das margens permitida por uma procura doméstica mais robusta”, explicam.

Sobre-exposição a ativos de risco

A gestora nacional, que recentemente explicou à Funds People Portugal qual a equipa atual da casa, considera que a principal linha de força da estratégia de alocação consiste em “reconhecer valor na manutenção de uma sobre-exposição a ativos de risco, dado não se perspetivar uma inversão do ciclo económico global e as valorizações relativas continuarem a ser-lhes favoráveis”. Por outro lado, entendem que há que ter em conta que “o aumento da volatilidade altera a atratividade relativa dos diferentes ativos” e, por isso, sugerem “um valor modesto e mais flexível para a atrás mencionada sobre-exposição”. Em termos regionais, consideram que as perspetivas são mais favoráveis para os mercados desenvolvidos do que para os emergentes, mais concretamente a América Latina. Dentro dos mercados desenvolvidos, “os mercados japonês e europeu serão porventura mais atrativos do que o mercado norte-americano, relembrando porém que, na 1ª metade, já ocorreu uma ‘outperformance’ significativa dos primeiros”.

(Na foto: Carlos Pinto Ferreira, da direção de investimentos da MGA)
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