Mercado acionista europeu: razões que justificam a entrada de dinheiro


Por vezes, a insistência numa determinada ideia de investimento faz com que as expectativas dos investidores cresçam. Assim se verifica na atualidade. Dos mínimos alcançados pelas ações em março de 2009, muitos foram os analistas e gestores que destacaram a clara subvalorização que registava o mercado acionista europeu. Apesar disso, os investidores mantinham-se à margem dessa classe de ativos, numa analogia popular ao "gato escaldado de água fria tem medo" fruto do crash de 2008.

Contudo, a situação atual poderia ser bem diferente. Embora os preços não sejam os de há quatro anos e meio, parece que as valorização que oferecem as ações europeias estão a despertar o interesse do investidor. As gestoras internacionais sabem-no e "desfilam na passarelle" os seus melhores produtos.

A pergunta que se impõe é o que realmente está na origem deste renascimento? Em primeiro lugar, talvez o mais adequado seja deixar-se levar pelos números. Neste momento são contundentes. Nos últimos doze meses, a Europa está, assim, presente, nos radares dos investidores pela melhoria progressiva das ações europeias que "não só são atrativas em termos de valorização, como também oferecem empresas e bancos líderes a nível global nos seus mercados, com excelentes modelos de negócio", afirma Fabio Di Giansante, gestor do Pioneer Funds - Euroland Equity (leia a entrevista a este gestor na última revista Funds People Portugal).

Sem quaisquer dúvidas relativamente ao caminho de recuperação que paira sobre a Zona Euro, Britta Weidenbach, diretora da área de investimento em ações europeias de grande capitalização do Deutsche Asset & Wealth Management, aponta os dados que justificam essa tese: melhoria da produção económica, aumenta da confiança dos consumidores e, sobretudo, os índices PMI. "Isto indica que em breve acontecerá o mesmo com os lucros das empresas. As posições em liquidez das empresas da Zona Euro são mais elevadas que nunca. No entanto, os lucros mantêm-se aproximadamente 40% abaixo dos máximos anteriores. As ações podem sair beneficiadas, entre outras coisas, pela melhoria dos fatores macroeconómicos a par de uma política monetária flexível por parte do BCE", afirma a gestora do DWS Invest Top Euroland.

Incógnita política deixa de fazer sentido

Parece que a incerteza relativamente à política europeia esmoreceu e que a mesma está atualmente definida. Na J.P.Morgan AM consideram que os resultados das eleições alemãs são uma indicação clara da confiança que o povo alemão tem em Angela Merkel para gerir a crise do euro. "A sua reeleição dá força aos projetos de integração europeia, como a criação da união bancária, e aumenta também a possibilidade de resgates adicionais e o alívio da dívida. Isto em conjunto com uma política monetária flexível por parte do BCE, deverá sustentar uma forte recuperação económica europeia e colocar os investidores a pensar nas vantagens de uma sobreponderação a ações europeias em detrimento de dívida investment grade", explicam os responsáveis da gestora cujo produto estrela de ações europeias é o JPM Europe Equity Plus.

Rory Bateman, responsável de ações europeias da Schroders, considera pelo contrário que as expectativas de crescimento dos lucros das empresas na Europa se mantêm contidas. "Os principais indicadores europeus assistiram a uma recuperação recente, enquanto as avaliações continuam a ser atrativas. Por esse motivo, vemos um período de debilidade nos mercados europeus como uma oportunidade para involucrarmos naquilo que segundo a nossa visão é uma história de recuperação da economia europeia", revela. A grande aposta da casa é o Schroder ISF Euro Equity, fundo gerido por Martin Skanberg (o gestor estará em Lisboa no próximo dia 15 de Outubro). Um inquérito feito há relativamente pouco tempo pela entidade em Atenas num ciclo de conferências que teve uma assistência de 146 clientes intermediários oriundos de mais de 35 países da Europa, Médio Oriente, Asia, Estados Unidos e América Latina revelava que 50% dos inquiridos assegurava que as ações europeias serão a classe de ativo que melhor se comportará nos próximos meses.

O dinheiro também entra na indústria de gestão passiva

Apesar dos fundos de gestão ativa que investem em ações europeias estarem a registar sucessivas entradas de dinheiro este ano, esta tendência também se verifica nos ETFs. Segundo dados da última edição do ETP Landscape Report da BlackRock, o volume de investimento em ETP de ações de mercados desenvolvidos alcançou em setembro os 23.400 milhões de dólares, registando na Europa o quinto mês consecutivo de subscrições líquidas. 

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