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“Marés” e “barcos” específicos


O responsável de mercados globais da J.P. Morgan Asset Management considera que o desafio em 2014 é maior no que refere à gestão de ações do que no ano passado, conforme referiu em entrevista à Funds People, embora seja da opinião de que vivemos uma "migração gradual" para ativos mais expostos ao risco.

Mas a pergunta impõe-se: estará a grande rotação das obrigações para as ações a acontecer efetivamente? Andrew Goldberg prefere falar de uma “migração gradual”. “Apesar das oportunidades no mercado de obrigações serem muito limitadas, continuo a defender que o investidor médio deve ter uma carteira diversificada por causa de alguns riscos nas ações”, explica. Desta forma, o especialista acredita que no mercado de obrigações o “investidor deve estar focado em diminuir o risco de duração, para o caso das taxas de juro subirem”. Nesta fase atual, Goldberg diz ter uma curiosidade específica em relação ao “mix” que existirá entre gestão ativa e passiva. “Acredito que  há um tempo para tudo e, atualmente, mais precisamente para a Europa e para os mercados emergentes, penso que é a altura certa de se fazer o distanciamento entre os índices”, revela. A rising tide lift all boats(“A maré alta levanta todos os barcos”) – foi a expressão utilizada como aviso e que é comumente atribuída a John F Kennedy. “Este não vai ser o caso da Europa e dos mercados emergentes. Vão ser “marés” muito específicas, e “barcos” muito específicos”, reitera. Assim diz esperar que “os investidores estejam alocados em gestores com estratégias ativas”.

Mercados “mal habituados”

“Os mercados em 2014 vão estar numa fase mais slow motion”, diz o especialista que considera que atualmente a volatilidade está demasiado baixa, por causa de uma certa “complacência” existente. “Os mercados estão numa espécie de fase inocente em que acham que conseguem lidar com qualquer má notícia”. “Só estão habituados a bom tempo e dias de sol”, diz o especialista metaforicamente, explicando que qualquer declaração da Fed, BCE ou BoE, pode causar estranheza nos mercados.

Poderá o perigo de deflação estragar esses “dias de sol”? O responsável de mercados globais da entidade não acredita que se vá assistir a uma deflação imediata na Zona Euro. Com muito pouco que os países possam fazer a esse nível, o especialista crê que se o BCE seguisse um modelo semelhante ao tapering levado a cabo pela Fed, isso “poderia ajudar a subir os preços”. “Acredito que vamos assistir a uma maior ação do BCE neste sentido. A grande questão é saber para o que é que eles vão olhar”, conclui. 

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