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“Mais do que uma grande rotação, há um processo de normalização”


Valentijn van Nieuwenhuijzen é o responsável de multiativos do ING Investment Management. O especialista revelou, na sua última visita a Madrid, quais os caminhos da sua alocação para este ano. No entanto, ainda antes de explicar a sua estratégia para 2014, o responsável quis analisar qual será o ambiente macroeconómico que é esperado para este ano. Valentijn van Nieuwenhuijzen iniciou a sua análise pelos países desenvolvidos, observando que “os países da OCDE não voltaram ao nível de crescimento potencial anterior à crise, mas as coisas estão a começar a melhorar. As autoridades estão a lutar afincadamente para encontrar um combinação de políticas que seja justa e correta”.

Nas economias desenvolvidas as condições para uma mudança para um crescimento maior estão estabelecer-se de forma progressiva. “As politicas fiscais de austeridade já não estão a resfriar tanto o crescimento como nos anos anteriores”. Na sua opinião, mesmo em economias como a japonesa a situação tem melhorado e há sinais de relançamento económico. “É necessário manter este impulso”. Com as taxas em mínimos históricos, há que destacar a “mudança estrutural na forma de operar dos bancos centrais”, agora que se trata de fixar determinados objetivos no que diz respeito à inflação e ao desemprego. Para o especialista, “os desafios aparecem se estes objetivos forem alcançados prontamente e antes do que é esperado.”

Em 2014, será difícil ver uma divergência clara entre as politicas monetária da FED e do BCE, que a partir de agora poderiam ser separados, tal como era habitual até meados dos anos 90. Na sua opinião, na Europa, e apesar do nível de irritação da população estar a diminuir, o maior risco advém dos partidos populistas apresentarem bons resultados nas próximos eleições europeias, o que poderá levar a uma mudança de discurso nos partidos mais moderados.

Quanto aos mercados emergentes, em muitos há desequilíbrios substanciais, mas não na magnitude do que aconteceu nos anos 90. “Os seus problemas resultam na perda de competitividade e as suas margens são agora muito mais reduzidas. Além disso, no seu crescimento houve um excesso de recurso ao crédito e são necessária novas reformas estruturais”. Para o responsável de multiativos da ING Investment Management, “não são problemas que se podem solucionar através dos estímulos keynesianos clássicos. Trata-se sim de mudar o lado da oferta da suas economias. Um novo modelo de crescimento económico”.

Como responsável da gama de produtos multiativos da gestora holandesa, Valentijn van Nieuwenhuijzen tem de passar estas ideias para o papel da alocação de ativos, com as carteiras a se reduzirem significativamente em relação aos mercados emergentes. Num cenário em que as obrigações são incapazes de repetir os resultados dos últimos 30 anos, as ações são as alternativas, embora o especialista prefira falar de uma “progressiva normalização em vez de uma grande rotação”.

A sua forma de reagir a um excessivo consenso de mercado e aos riscos que podem representam, foi o de aumentar o peso do investimento no mercado imobiliário. Investir nesta classe de ativos a nível mundial, com a Europa sobrevalorizada, porque a recuperação ainda não está a funcionar em todo o lado e pode haver mais oportunidades.

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