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Mais do que um olhar sobre o risco, um olhar sobre as fontes de risco


As estratégias Smart Beta foram desenvolvidas para colmatar importantes lacunas nos tradicionais índices cotados, que ponderam os ativos pela capitalização de mercado. Em resultado da convicção e evidências estatísticas de que  estes produtos não capturam adequadamente o prémio de risco, e de que o risco tende a estar concentrado em alguns títulos ou sectores, estratégias alternativas - denominadas de mais ‘smart’ - procuram optimizar a relação risco/retorno, seja proporcionando o acesso a produtos com ponderações alternativas, seja pela exposição a diferentes factores de risco. A Amundi, uma das líderes na gestão de ativos na Europa, está claramente a posicionar-se para cimentar essa posição também no segmento de fundos cotados e estratégias smart beta.

Alessandro Russo, como head of factor investing da entidade tem uma noção abrangente e profunda do funcionamento do mercado e em conversa com a Funds People esclareceu os conceitos e estratégias: “Antes de mais nada, a possível limitação dos índices ponderados pela capitalização de mercado é que se caracterizam por estratégias puramente buy-and-hold. Nos mercados de ações vemo-nos frequentemente confrontados com bolhas especulativas, que dirigem a concentração do risco para determinados sectores ou geografias. Os índices ponderados pela capitalização não proporcionam nenhum mecanismo que permita mitigar os efeitos de um rebentamento dessas bolhas”.

O profissional apontou os exemplos da crise energética dos anos 70, a bolha tecnológica do final do século ou a situação no sector financeiro que levou à crise de 2008, para ilustrar essas bolhas, destacando que “no caso das dot.com, por exemplo, o sector tecnológico representava pouco mais de 30% do peso nos índices, mas contribuía para cerca de 60% do risco”. Neste sentido, acrescenta que as estratégias Smart Beta existem para proporcionar, por um lado, uma melhor construção do portefólio, e por outro, uma maior eficiência do risco. “Pegamos num universo de investimento standard e em vez de ponderarmos por capitalização de mercado, procuramos minimizar o risco, aumentar a diversificação ou igualar a contribuição do risco de cada ação”, explica.

Por outro lado, e focando na verdadeira área de expertise de Alessandro, o investimento em factores de risco ou factor investing, o especialista aponta que “o investimento em factores de risco permite superar outro problema: os índices ponderados por capitalização de mercado ignoram as fontes de retorno e risco”, esclarece. O investimento em factores de risco identifica os títulos com características comuns que permitem a esses títulos capturar retornos adicionais ajustados ao risco, em comparação com os índices tradicionais. Falamos de características que podem ser fundamentais, técnicas, padrões de risco ou mesmo a performance passada. “Depois de identificadas estas características, é possível expor o portefólio aos diferentes factores, que apresentam muito pouca correlação entre eles, bem como estabelecer uma relação ente os retornos dos mesmos e as fases do ciclo económico, para que o investidor seja capaz de se posicionar melhor perante uma conjuntura em constante mutação, ou mesmo antecipar essas mudanças”, esclarece o profissional, acrescentando que “estas relações são estatisticamente significativos, mas também intuitivas”. Estas estão refletidas no gráfico abaixo onde são destacados os factores que mais e menos beneficiam em cada fase do ciclo de mercado.

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Estratégias com marca Amundi

Na Amundi proporcionamos acesso a um grande cabaz de ETFs mono e multi fator: recentemente completámos, por exemplo, a nossa oferta mono fator exposta ao MSCI Europe Index, com base nos factores documentados pelo research académico, ou seja, que apresentam boas evidência empíricas. Adicionalmente, desenvolvemos algumas capacidades in house em alocação dinâmica a factores”, atesta o head of factor investing da Amundi. Oferecemos duas estratégias multi factoriais, desenvolvidas em parceria com o EDHEC Risk Insitute que misturam vários factores que não são correlacionados entre si, pelo que no longo prazo captura-se o retorno de cada um dos factores, ao mesmo tempo que se reduz o risco relativamente ao mercado, já que “a underperformance de um factor não acontece ao mesmo tempo que os restantes”.

Apesar de serem produtos focados nos mercados de ações, na Amundi estão numa fase de research para aplicar a mesma filosofia de investimento em factores aos mercados de obrigações. No entanto, Alessandro Russo aponta que estão “ a observar alguns desenvolvimentos neste campo, mas é de mais difícil implementação do que nas ações”. No tema de low volatility, por exemplo, a aplicação da estratégia ao mercado de obrigações resultaria “numa carteira muito pouco concentrada de obrigações corporativas de curto prazo e de muito elevada qualidade de crédito”, um conceito que já existe no segmento de fixed income. No entanto, o profissional destaca alguns bons resultados na aplicação de procedimentos de eficiência de risco em obrigações corporativas que levam a uma maior estabilidade de retorno ajustado ao risco. Neste caso, “vamos explorar mais o tema da eficiência de risco, em mercados de fixed income”. 

(Leia no número 14 da Revista Funds People Portugal já em distribuição os resultados do questionário feito aos profissionais do sector sobre a gestão passiva).
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