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Maior exposição a ações e maior prémio de risco de crédito


O último relatório trimestral divulgado pela APFIPP sobre a evolução dos fundos de pensões dá conta de uma ascensão a 14.243,0 milhões de património, o que se traduz num crescimento de 1,6% em relação ao trimestre anterior. Mas, concretamente, como decorreram os meses de julho, agosto e setembro na gestão dos fundos de pensões? A Funds People foi ouvir a opinião de algumas entidades.

Os principais desafios no último trimestre para as instituições que gerem fundos de pensões em Portugal tiveram pelo menos um denominador comum: “lidar” com o non –tapering nos EUA. “A especulação em torno do  timing de início do tapering gerou algumas reações de mercado de curto prazo disfuncionais, como a queda ou “indiferença” das ações, na sequência de dados macroeconómicos positivos, uma vez que estes aumentam a probabilidade de antecipação desta remoção do estímulo monetário”, refere Pedro Frada, da Direção de Soluções de Investimento e Institucionais Seguros e Fundos de Pensões, da Caixagest, que em setembro de 2013 era a segunda gestora de pensões com maior quota de mercado.

Gerir risco da taxa de juro

Na mesma perspetiva, Armando Bandeira, do Banif Açor Pensões, sublinha que num ambiente de indecisão como o que aconteceu depois de maio e junho, “assistiu-se à subida das yields de dívida pública, o que condicionou a performance dos ativos de risco, penalizando particularmente os mercados emergentes”. No entanto, o especialista refere que a “atitude cautelosa” demonstrada pelos EUA em setembro, fez com que se entendesse que a subida das yields “se justificava pela melhoria global das perspectivas económicas”. Desta forma foi unânime nas respostas, que a estratégia nos fundos de pensões passou pelo aumento da exposição aos mercados de ações e de crédito, e pela redução do risco da taxa de juro. Pedro Frada indica mesmo a “gestão do risco da taxa de juro associada ao fim do ciclo de política monetária expansionista” como um “desafio particular” no terceiro trimestre.

As estratégias delineadas pelas gestoras durante o terceiro trimestre foram semelhantes. “Aumentámos o peso em ações e este foi um movimento táctico de curto prazo, não refletindo uma rotação estratégica para um peso maior em ações”, diz João Pina Pereira, responsável pela gestão discricionária da ESAF.  “Na seleção de rendimento fixo houve por um lado a procura de maior prémio de risco de crédito e, por outro lado, de uma maturidade média um pouco inferior para reduzir o risco da taxa de juro”, acrescenta Pedro Frada, que corrobora a ideia de Armando Bandeira, que também fala num “forte peso em risco de crédito, mas também em obrigações high yield”. Adelaide Marques Cavaleiro, da BBVA Fundos, refere que ultimamente a tendência tem sido a de “adoptar uma posição de mais neutralidade nas ações em termos globais face ao seu bom desempenho”. Nos mercados de crédito, por exemplo, a especialista diz que têm mantido um overweight, “tendo estado mais expostos às oportunidades de investimento em bons nomes da periferia em detrimento dos mercados core”.

Crescimento a refletir boas performances

Para as entidades ouvidas pela Funds People, 1,6% de crescimento no património dos fundos de pensões deveu-se ao “efeito do bom comportamento dos mercados neste período”, refere João Pina Pereira, que corrobora a opinião de Adelaide Marques Cavaleiro, que também identifica este crescimento como sendo “fundamentalmente resultado do efeito de mercado”.  Já Pedro Frada assinala que “os ativos de risco tiveram performance positiva, pelo que o acréscimo se deve à valorização das carteiras”, acrescentando que para além disso “existiu também uma canalização de poupanças particulares bem, como a constituição de complementos de reforma para colaboradores PMEs”.

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