Jupiter Dynamic Bond: um fundo flexível... e de contrapesos


O Jupiter Dynamic Bond é um dos fundos mais populares no mercado nacional.  Para além dos resultados consistentes, muito provavelmente também a abordagem flexível é um dos pontos a favor desta estratégia. Essa pelo menos foi uma das ideias que tentou passar Katharine Dryer, Product Specialist Director na Jupiter Asset Management, numa vinda recente a Lisboa.

“Este não é um fundo de retorno absoluto, mas nós encaramos a sua gestão como se fosse”, começou por dizer a especialista, que fez questão de iniciar o seu discurso reforçando que este é um produto “totalmente unconstrained”. Com uma abordagem intercalada entre uma análise bottom up e uma análise top down, o fundo gerido por Ariel Bezalel “vive” de duas perguntas importantes que o gestor coloca sistematicamente aos analistas de crédito: “Está determinada empresa num processo de desalavancagem?” e “onde está o meu ‘downside’, ou seja, se as coisas correrem mal qual a dimensão do impacto?”. No ano de 2014, em que o mercado de obrigações começou a dar os primeiros sinais de “debilidade”, o fundo alcançou um retorno de 6,3%.

Duração: faca de dois gumes em 2014

Katharine relata que durante ano passado, curiosamente, foi a partir da duração que se conseguiu tanto “a melhor como a pior performance do fundo”.  Explica que desde setembro de 2014 a estrutura do produto passou por algumas mudanças, depois de um verão em que a equipa gestora “começou a adoptar uma postura mais cautelosa”, porque começava a ser evidente “a ausência de inflação no sistema, e o início de alguns shocks no mercado de commodities”. A duração do fundo passou de 2 anos no verão, para 5 anos no final de setembro. Prosseguindo a retrospetiva do ano passado, a especialista sublinhou o contributo dado por alguns sectores de crédito. “A nossa maior exposição foi ao sector bancário, onde beneficiámos de uma certa alocação a CoCos, por exemplo”, disse, recordando ainda o contributo dado pelas posições longas em dólares, que ajudaram a manter os retornos durante períodos mais voláteis.

Perspetiva atual requere cautela

Desde o início de 2015 que o fundo apresenta um retorno de aproximadamente 2,8% (dados de final de fevereiro). Por esta altura, Katharine dá conta da perspetiva mais cautelosa que a equipa gestora assume. As preocupações surgem, por exemplo, em relação ao outlook para os mercados emergentes, que entendem que pode ser prejudicial ao nível do crescimento global. Sendo atualmente “cautela” a  palavra de ordem, a profissional refere que “foram removidos de cima da mesa alguns eventuais riscos no ciclo de crédito”. Outro dos temas que atualmente entra na lista de preocupações na gestão do produto, é a “quantidade de dívida que ainda existe no mercado”.

A estratégia do “haltere”

Sumariamente, Katharine explicou que a estratégia atual do fundo se assemelha a um haltere de ginásio, em que um dos lados representa metade da carteira, atualmente investida em high yield. “Embora as valorizações continuem “apertadas” continuamos a ver um determinado valor em certas empresas deste segmento”, disse. O outro lado do haltere é “contraposto” com posições de maior liquidez e segurança. “Aqui entram posições como o investimento em obrigações governamentais australianas, que perfazem cerca de 20% do portfólio”, bem como uma alocação de 15% a cash.  A parte do meio do haltere, claramente mais “leve”, corresponde a uma alocação reduzida por exemplo a obrigações governamentais europeias ou obrigações investment grade. 

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