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A recente queda da inflação de 1.1% para 0,7%, foi tida como a principal razão da queda dos juros por parte do BCE. Numa fase em que os impostos sobem pela Europa fora é também um sinal de alivio para as famílias que vêm os seus rendimentos reais cair há 5 anos consecutivos.

No entanto, há um pequeno detalhe. O índice de preços (CPI) foi desenhado de maneira a esconder deliberadamente componentes importantes do consumo privado, como a alimentação e a energia; caso incluídos, este valor seria bem superior e a quebra no rendimento real disponível bem mais visível!

Esta queda verificada na inflação deve-se sobretudo à apreciação do Euro face às restantes divisas e que tornou as importações para a Europa relativamente mais baratas. A razão para esta subida é a conhecida politica da Reserva Federal e do Banco do Japão de imprimir moeda. Com as eleições na Alemanha o BCE teve alguma dificuldade em acompanhar, mas tudo indica que agora não terá outro remédio. A maioria dos bancos centrais, com a excepção do alemão, são a favor de “inflação benigna” e tudo por uma razão muito simples. A subida generalizada dos preços ajuda a pagar a dívida mas infelizmente não de forma gratuita, pois trata-se de um processo de transferência de riqueza de quem poupou para quem se endividou.

O controlo dos Estados sobre o instrumento monetário é prejudicial para a economia e tal como se constata agora, a preocupação não é a deflação mas sim o controle sobre a massa monetária em circulação, pois há dívidas a pagar, sobretudo nos países do sul...

Ora para que esta “monetização” da dívida ocorra, os bancos têm de ser peça essencial no processo. Como se tem visto, sobretudo nos países do sul, a maioria não goza de grande saúde – é aliás este o motivo principal de Draghi pedir uma segunda auditoria exaustiva ao bancos.

Ora, os riscos desta politica são enormes, pois cabe a estes mesmos bancos a capacidade para completar este processo de transmissão monetária, passando o dinheiro “impresso” para a economia real, mas infelizmente há muitos ventos contra. Ao longo destes últimos anos houve uma fuga de depósitos para regiões mais saudáveis (em Portugal menos, mas com os novos certificados de aforro a tendência deve alterar-se). Por outro lado, muitos dos bancos ainda não limparam dos seus balanços todo o crédito malparado acumulado a longo dos anos de euforia. Nesta fase, e com as normas de Basileia III em vigor, será ainda mais difícil carregar os balanços com um acréscimo de nova dívida pública. Por último, a expectativa bem real de subida de taxas de juro. Vimos as taxas de longo prazo a disparar nos EUA com os sinais do fim do programa de recompra, imagine-se quando isso vier a ocorrer na Europa, as perdas nas obrigações serão enormes!

Bill Gross da Pimco comentou há uns tempos que a nova bolha estava na dívida pública; muito resumidamente, é este o motivo.

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