Gráficos que explicam a mudança na política sobre a taxa de câmbio na China


O Banco Popular da China (PBOC) efetuou recentemente a terceira desvalorização controlada do renminbi, no caso de 1,1%. Com esta terceira queda, as autoridades chinesas deram por concluído o ajuste, ao considerar que o yuan recuperou o seu valor de mercado. “O PBOC está provavelmente a enfrentar a recente força da divisa. Do nosso ponto de vista a entidade não está a atuar para ganhar quota de mercado para exportar através da desvalorização competitiva. O que nós entedemos que o Banco Popular da China está a fazer é permitir o ajuste da divisa em termos de taxa de câmbio ponderada. A débil procura global provavelmente aumentou a diligência do PBOC em torno deste assunto”, comentam Monica Defend e Qinwei Wang da Pioneer Investments.

Ambos os especialistas recordam que “o mercado continua à espera que a China corte taxas no final deste ano, uma flexibilidade monetária não desfrutada em todos os lugares da Ásia”. Apoiam-se no último comunicado do banco central chinês, em que se assinala a possibilidade de subida de taxas da Reserva Federal como catalisador, ao prever-se uma maior apreciação do dólar (o renminbi tem negociado sem oscilações em relação ao dólar, na maior parte do ano). “Dada a força do dólar e a relativa dependência exportadora da China, o PBOC está apenas a exercer o seu mandato para prevenir uma apreciação massiva”, acrescentam.

Da Pioneer afirmam que este movimento surpresa contribuiu para dividir o consenso: “Alguns analistas discutem que o movimento seja mais guiado por uma desaceleração da economia, enquanto que um segundo grupo, no qual nos incluímos, sugere que o movimento reflete o desejo da Pequim de conseguir o status de divisa de reserva no FMI”. A visão da gestora é que “os passos para reformar a classe onshore melhorem a transparência, uma caraterística que o FMI aprecia”. Observam que “a recente decisão do fundo de adiar as operações para uma potencial inclusão da China pode ter aumentado o apetite das reformas do PBOC”.

“O PBOC executou a desvalorização num momento em que não existia a obrigação de o fazer por parte do mercado”, comenta por seu lado Desmomd Soon, responsável de investimento na Ásia, excluindo Japão, da Western Asset, filial da Legg Mason Global AM. Soon recorda que “a moeda chinesa tem sido a divisa asiática mais forte em termos de taxa da câmbio real, cerca de 18% desde o começo de 2014”. A opinião do especialista é que “foi exigida alguma debilidade, mas não é um sinal de desvalorização descontrolada”.

A visão do grupo contempla as duas interpretações que têm circulado pelos mercados na semana: que a China, com uma divisa mais barata, impulsiona as exportações, e ao mesmo tempo quer ganhar estatuto internacional, dado que um dos requisitos para que o FMI possa incluir o yuan na sua cesta de divisas com direitos especiais de saque é que apresente mais flexibilidade e transparência na taxa de câmbio. “A China quer que o yuan tenha um status mundial semelhante ao do dólar, do euro e do yen”, indicam.

Continuando, Soon detalha alguns dos efeitos sobre o mercado na política cambial. Em primeiro lugar constata que o rally das obrigações norte-americanas na sua qualidade de ativo refúgio, “com a política acomodatícia a reafirmar a visão de que o crescimento global ainda está pouco seguro” (ver gráfico). Por outro lado, a  dívida emergente e de países exportadores de matérias primas como o Brasil, Rússia ou Chile, cedeu perante a debilidade da China, um cliente chave. A queda contagiou o petróleo e outras matérias “ao observar-se a desvalorização como um reflexo de fundamentais débeis”.

O impacto sobre outras moedas também tem sido relevante, especialmente no caso das asiáticas (ver o gráfico). “Um yuan mais barato pode levar outros países a desvalorizar também as suas moedas para continuarem a ser competitivas. Um yuan mais débil torna automaticamente mais caras as exportações noutras divisas asiáticas”, explica o especialista.

Segundo o PBOC, a força da taxa de câmbio efetiva real (TCER) depois de ter vivido uma valorização contínua desde meados de 2014 “não é inteiramente coerente com as expectativas do mercado”, comentam os especialistas da Mirae Asset Management. “O câmbio do yuan tem estado a negociar consistentemente em direção à parte alta da curva, implicando que o mercado entenda o yuan como sobrevalorizado”, acrescentam (ver gráfico). Da gestora coreana indicam que a “China não tem perdido quota de mercado nas exportações globais”, tendo sim estancado o ritmo ao qual ia ganhando quota. Dado que o "bolo" global do comércio está a crescer muito menos do que era costume, este estímulo via divisa, assumindo que continuará, pode potencialmente retirar quota de mercado dos concorrentes da China, disseminando o impulso desinflacionário para o exterior”.

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