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“Gosto de separar serviço comercial e de gestão, dando mais relevância ao serviço de gestão”


1. Que peso tem, no seu processo de seleção de fundos, a análise quantitativa face à análise qualitativa?

No nosso processo de seleção de fundos, em vigor na Eurovida e Popular Seguros, não temos predefinido uma ponderação relativa no que diz respeito ao binómio analítico quantitativo/qualitativo, no entanto, e dada a especificidade do nosso negócio e objetivo de gestão “preservação de capital com maximização do binómio rentabilidade/risco”, ambos são relevantes, em fases distintas, no nosso processo de seleção final do investimento. O nosso processo de seleção de fundos assenta basicamente num modelo de análise ‘top-down’, que se encontra estruturado basicamente em 3 fases: numa primeira fase e mensalmente são definidas as linhas estratégicas de alocação macro das nossas carteiras de investimento (classe de ativos, setores, zona geográfica, moeda, prazo, etc…); numa segunda fase, o ‘run’ do nosso modelo quantitativo. O nosso modelo quantitativo assenta no ‘screening e scoring’ de fundos segundo as linhas estratégicas definidas. O ‘screening’ baseia-se na seleção de fundos de acordo com os objetivos de análise macro definidos e na aplicação de um filtro de seleção, o “formato” do fundo (“harmonizado” vs “não harmonizado” de acordo com as diretivas internacionais). O ‘scoring’ assenta na classificação quantitativa de fundos, dentro dos ‘peers’ definidos de acordo com um ponderador/score interno, calculado com base, entre outros, em indicadores de performance, risco, consistência, liquidez e ainda em ‘ratings’ de casas internacionais (que na sua classificação já incluem ponderações qualitativas). Na terceira e última fase, “a decisão de investimento”, onde o critério de análise qualitativa assume uma maior relevância, uma vez que no caso de existirem diferenças pouco significativas do modelo de score interno de fundos, valorizamos as entidades gestoras que melhor serviço prestam aos investidores, ao nível da prestação e transparência da informação e acesso direto aos gestores.

2. Uma vez escolhido o fundo, como faz a revisão dessa selecção, de forma pontual ou através de um processo regular e definido? Quais os critérios mais ponderados para deixar de recomendar um fundo?

Após seleção do investimento, assente no modelo anteriormente descrito, o(s) fundo(s) passa(am) para o nosso modelo de qualitativo semanal. Atualmente, no nosso ‘screening’ de ‘fund picking’ semanal, temos aproximadamente 400 fundos, de 20 sociedades gestoras divididos em 15 macro ‘peers groups’ e 50 micro ‘peers’. Sempre que se acendem as ‘red flags’ do nosso modelo de ‘score’ (baseadas na descida de 3 posições no nosso modelo de ‘score’) o fundo fica na nossa ‘short list’ de ‘due diligence’, onde procedemos à análise ‘drill’ do ‘score’ para ver que indicador se desviou da sua consistência (performance, volatilidade, ratings, montante sob gestão, etc…) e se necessário aferir junto da sociedade gestora as razões (alterações da equipa de gestão, objetivo de gestão, ‘out/in flows’, etc…).

3. Em 2008, muitos fundos tiveram problemas de liquidez, tendo sido mesmo encerrados. Perante essa experiência, alterou o seu processo de seleção ou passou a dar mais importância ao fator liquidez?

No nosso processo de seleção, como podemos aferir pelo anteriormente referido, a liquidez sempre assumiu um papel preponderante na seleção do investimento, e não só a partir de 2008, assumindo numa primeira fase o “formato” do fundo, uma relevância de seleção “darwiniana” preponderante na passagem para o modelo quantitativo, onde mais uma vez o fator liquidez assume um peso significativo no score atribuído ao fundo.

4. Até que ponto um bom ou mau serviço de uma gestora afeta a seleção de fundos da mesma? 

O “Serviço”! Gosto de separar serviço comercial do serviço de gestão, e aqui damos mais relevância ao de serviço gestão, dado que o nosso modelo de seleção assenta num modelo de análise interna e com a facilidade de acesso à informação de fundos que existe atualmente no mercado, o apoio/serviço comercial direto assume um papel secundário na nossa seleção. No entanto, um bom serviço comercial não é displicente, pois costumo afirmar, que dada a quantidade de ofertas que existe no mercado, em muitos caos com diferenciação mínima de uma sociedade para outra, “Quem não aparece, esquece-se!”.

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