Gestoras portuguesas aproveitam crise para reorganizar oferta


A crise financeira que estalou em 2008 decorrente da crise do suprime, iniciada nos EUA, e que afectou a Europa, a qual se viu ainda a braços com a crise da dívida soberana nos anos mais recentes, teve os seus impactos ao nível do património das gestoras de ativos. Portugal, como se sabe, não foi exceção à regra. Com o nosso país aparentemente no caminho da recuperação, e com uma tendência de crescimento na indústria de gestão de ativos a verificar-se atualmente, a Funds People traçou a evolução desta área durante os últimos seis anos.

Se em dezembro de 2008, a compilação de dados da APFIPP, indica que os fundos mobiliários tinham 14.344 milhões de euros sob gestão, não denunciando o eclodir da crise, 2009 é um ano de exceção e o melhor dos últimos seis anos. Apesar do número de produtos disponíveis ter diminuído,  de 292 no final de 2008, para 288 em dezembro de 2009, o mercado de fundos mobiliários atingia os 17.231 milhões de euros, com um património médio por fundo de 59,83 milhões de euros.

Sol de pouca dura...

Depois de um ano e meio em que aparentemente ao nível dos ativos sob gestão não se observou grande impacto, a gestão de ativos em Portugal não sai naturalmente ilesa deste contexto de recessão. No que refere ao património dos fundos esta começa a fazer-se sentir a partir de 2010, tendo sido 2011 o ano negro dos últimos seis. Recorde-se que foi em 2010 que a Grécia foi intervencionada, seguindo-se o pedido de resgate português em maio do ano seguinte. Entre o fecho de 2010 e o de 2011 o património em fundos mobiliários em Portugal decresce 20%, apesar do número de fundos ter aumentado.

Tal redução de património global também verificada ao nível do património médio demonstra que, fazendo face ao cenário frágil que se impunha, as gestoras portuguesas adoptaram o caminho da reorganização da oferta. Entre 2011 e 2013 registou-se uma diminuição no número de produtos disponíveis, fosse via processos de fusão ou cessão de fundos, a par de um aumento no património médio correspondente. O crescimento foi sendo consolidado, já que os dados mais recentes da APFIPP, de fevereiro de 2014, permitem inferir que o património médio dos fundos mobiliários quase duplicou, recuperando dos mínimos de 2011. Os últimos dados disponíveis da Associação mostram que o património médio se situa nos 55,31 milhões de euros, um valor que nos últimos seis anos apenas foi superado pelo máximo de finais de 2009.

Imobiliários não escapam

Também nos fundos de investimento imobiliário a tendência foi relativamente semelhante. Se no final do primeiro ano de crise, esses produtos apresentavam um património médio de 46,18 milhões de euros, a evolução foi descendente até ao final de 2011, altura em que se atingiu o valor mais baixo dos seis anos em análise (43,17 milhões de euros). À semelhança do que aconteceu com os fundos de investimento mobiliário, o ano de 2011 foi o “trampolim” para a reorganização da oferta, muito evidente na redução de 13% do número de produtos disponíveis entre dezembro de 2011 (ano em que estes atingem o seu apogeu) e janeiro de 2014. Realça-se contudo que as oscilações de património são menos agressivas do que nos fundos mobiliários.

 

 

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