“Gestor local acrescenta valor pelo know-how subjacente à proximidade aos mercados de investimento: Portugal e Espanha”


O fundo português long/short Iberia, da Banif Gestão de Activos, conta já com 4 anos e meio de história e a pergunta é: porquê falar dele agora? Este é um fundo de investimento flexível que, por ter o seu universo de investimento focado em Portugal e Espanha, tem beneficiado da recuperação dos mercados ibéricos e da percepção mais favorável dos investidores em relação às economias portuguesa e espanhola.

Em entrevista à Funds People, Jorge Guimarães e Nuno Marques, gestores da Banif Gestão de Activos e responsáveis pelo fundo, começaram por explicar uma das caraterísticas mais simples do produto, mas que se revela chave para o seu funcionamento: ser gerido por gestores locais. “Faz todo o sentido usar um gestor local para trabalhar um fundo Ibéria, já que consegue pôr em prática as suas ideias mais rapidamente e ler nas entrelinhas daquilo que é veiculado nas notícias locais”, explicam. Uma das caraterísticas dos mercados ibéricos é a grande predominância de pequenas e médias empresas. Também nesta perspetiva os dois especialistas reforçam o valor que é adicionado por uma gestão mais próxima e conhecedora da realidade. “Estas empresas são melhor cobertas por brokers locais e, para além disso, a realidade portuguesa tem semelhanças com o mercado espanhol”.

Sendo atualmente o único fundo domiciliado em Portugal com a característica de ser um long/short Iberia, os especialistas indicam que esta estratégia de investimento foi definida porque estamos perante “mercados muito voláteis”, mas também por “uma questão de diferenciação e enfoque nos mercados onde temos vantagens competitivas claras”. Com esta exposição geográfica muito específica, os dois responsáveis pelo fundo indicam que “a diversidade das empresas e sectores presentes permitiu implementar com grande sucesso a estratégia do fundo, utilizando posições longas e curtas, nos períodos de maior stress da crise soberana, de 2011 até meados de 2012”. De facto, explicam que estiveram curtos em empresas penalizadas pelo aumento do prémio de risco doméstico (existentes em grande número nos mercados ibéricos), como, por exemplo, as empresas financeiras ou as utilities, enquanto a parte longa foi investida nas empresas ibéricas com maior exposição internacional. 

Desfrutar da recuperação

A célebre frase de Mario Draghi em julho de 2012, onde garantia fazer o que fosse preciso para preservar o euro, foi o marco para uma mudança no fundo. “Desde esse discurso, as coisas mudaram, e por isso, de forma gradual, mudámos as nossas preferências”, explicam Jorge Guimarães e Nuno Marques. Tal mudança ganhou mais expressão desde meados de 2013, quando “a força da recuperação se tornou mais sólida”. “Desde essa altura começámos a preferir empresas com maior exposição doméstica, para beneficiar da tendência de recuperação”, esclarecem. Desde esta altura os níveis de exposição líquida ao mercado de capitais foram alterados: “em 2010, 2011 e 2012 os níveis de exposição líquida ao mercado foram mais reduzidos (média de 24%), enquanto em 2013 tivemos níveis de exposição líquida ao mercado mais elevados (média de 45%)”. 

Três níveis de decisão

E qual o “olhar” específico dos dois gestores perante as empresas que entram no fundo? Tendo o produto passado grande parte da sua “vida”  inserido no contexto da crise da dívida soberana, os grandes factores inerentes ao produto têm sido “a evolução do prémio de risco das dívidas periféricas e as perspectivas macroeconómicas”.

Após um primeiro nível de decisão, com uma abordagem top down, em que se decide a exposição líquida ao mercado, o segundo nível prende-se com a escolha dos temas a explorar. Neste nível, há que ter em conta factores como exposição doméstica ou global, cíclica ou defensiva, sensibilidade ao prémio de risco, bem como os sectores (banca, seguros, construtoras). Finalmente, dentro de cada sector e numa perspectiva bottom up, são identificadas as empresas em que se irá investir e que melhor reflectem as tendências identificadas nos primeiros níveis de análise. No último ano, lembram que os temas mais explorados foram “os que beneficiaram da recuperação doméstica, como os media, a construção e os bancos”.

Favorável ao long/short

No final de toda a estratégia retratada, concluem que  “o valor criado no fundo reside na identificação e implementação rápida dos temas, e na escolha específica dos melhores veículos para investir nesses temas”. Ao nível operacional, os gestores destacam que “o facto de os índices (PSI20 e IBEX35) serem muito concentrados é favorável para estratégias long/short com coberturas via índices”.

No que diz respeito à rotação da carteira do fundo, os dois especialistas afirmam que “um título ou uma estratégia que não entregue resultados ao fim de três meses, ou até menos em alguns casos, é vendido”. “Na maior parte das vezes alienamos as posições longas e só depois abrimos uma posição curta sobre essa mesma acção, se a tendência negativa se acentuar”, concluem. 

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