Fundos mistos e alternativos ganham força nas plataformas


Fevereiro de 2016 trazia consigo a promessa de correr melhor do que o mês de janeiro, período que ficou marcado por intensos níveis de volatilidade. Nas três plataformas nacionais que distribuem fundos estrangeiros existiram sentimentos diversos no que toca ao segundo mês do ano, que, como lembra João Graça, do ActivoBank, “acabou por ser um mês positivo”, na sua generalidade. Contextualizando, o profissional indica que em fevereiro foram várias as notícias que impactaram os mercados “tanto ao nível das matérias-primas, nomeadamente do petróleo, como também a nível de políticas monetárias”. O profissional recorda que “ao nível de políticas monetárias, os comentários da Fed assinalam alguma prudência na subida de taxas de juro, uma vez que a economia global tem tido um crescimento um pouco abaixo do esperado”. O Bank of England, por seu turno “manteve as suas taxas de juro inalteradas e reforçou ainda que caso seja necessário poderá adotar medidas acomodatícias adicionais”. No caso da Zona Euro “fontes ligadas ao BCE assinalaram a possibilidade de revisão das políticas de QE em março”.

No caso do BiG, em fevereiro não existiram grandes diferenças face ao mês anterior. Isabel Soares, gestora de produto, destaca que “os fluxos registados neste período estiveram alinhados com o período anterior”, pois não existiram “grandes novidades no que diz respeito à subscrição de fundos de investimento”. A recuperação dos mercados “ainda que num contexto de elevada volatilidade”, acabou por ter um impacto “positivo na negociação destes produtos potenciando, desta forma, alguns inflows interessantes”.

A Flexibilidade subiu ao topo

Tanto no Banco Best como no BiG, os fundos flexíveis mostraram-se na mó de cima. No caso deste último, foi a “a flexibilidade e a abordagem do fundo Pimco Global Investors Income Fund”, que “teve a preferência na escolha dos investidores e por essa razão o fundo volta a destacar-se no topo da tabela”. No caso do Best “o mês fica marcado pelo facto de pela primeira vez o top ser dominados por estratégias de gestão multi-ativos e alternativas”, diz Rui Castro Pacheco, head of asset management da entidade. Explica que “nas estratégias de gestão mais tradicionais e que conjugam diferentes tipos de ativos com o objetivo de diversificar os investimentos, aparece em primeiro lugar o já conhecido Nordea Stable Return e dois fundos da JPMorgan, o Capital Preservation e o Global Macro”. Lembra que estes são “geridos praticamente da mesma forma”, mas com diferentes graus de risco, “tendo conseguido iniciar o ano com um comportamento bastante positivo”.

Seguiu-se no Banco Best a preferência por algumas estratégias alternativas. Destaca neste universo “a presença no top dos Nordea Stable Equity Long/Short, do Schroder European Alpha Absolute Return e do Amundi Absolute Volatility Euro Equities”. Os dois primeiros, diz, “investem em ações conjugando posições compradoras (long) com posições vendedoras (short) para que na prática tenham uma baixa exposição ao mercado de ações... aproveitando apenas o valor gerado pela diferença de performance das posições longas face às custas, independentemente se o mercado como um todo sobe ou desce”. O fundo da Amundi, por seu turno, “utiliza derivados para ganhar com o aumento da volatilidade dos mercados, pelo que conseguiu gerar retorno nestes primeiros meses do ano em que efetivamente a volatilidade aumentou”.

As ações, no BiG, foi a classe de ativos que ganhou destaque na plataforma no mês de fevereiro. “Em termos geográficos, os fundos com exposição à região europeia e globais assumiram-se como soluções privilegiadas pelos clientes. Em termos sectoriais, o principal destaque vai para o fundo Schroders Global Energy (fundo de acções de empresas relacionadas com o sector energético) que registou inflows significativos no período”, explica Isabel Soares. No que toca aos fundos com enfoque no segmento de dívida, “os investidores parecem continuar a privilegiar soluções com elevada flexibilidade e abrangência”. Neste campo, o principal destaque do mês foi o fundo Mirae Global Emerging Opportunities Bond (fundo de dívida emergente que passou a ser contemplado nas alocações do serviço Fund Advisor).

Relativamente ao Banco Best, no campo dos fundos mais tradicionais, registou-se a presença de “apenas um fundo de obrigações e que já nos acompanha há bastante tempo, o Jupiter Dynamic Bond”. Do restante top da entidade, destacam-se por outro lado,  apenas  três fundos que investem em ações. “Dois deles investem em ações europeias, o Jupiter European Growth mais virado para empresas com potencial de crescimento do negócio, e o MFS European Smaller Companies mais virado para pequenas e médias empresas europeias. O outro fundo de ações é o World Gold que tenta explorar o potencial das empresas relacionadas com a industria do ouro e que podem beneficiar com o facto do preço deste metal precioso estar a valorizar”, reitera Rui Castro Pacheco.

Para além do contexto económico já assinalado em cima, João Graça falou ainda de outras importantes notícias a circular no mês, no caso “o acordo entre a Arabia Saudita e a Rússia para congelar a produção de petróleo e estabilizar o preço do petróleo num patamar ligeiramente inferior, algo a que o Irão não aderiu, mas que foi suficiente para que o preço do “ouro negro” subisse novamente acima dos 30$”. No caso desta plataforma, o mês ficou marcado pela “adoção de posicionamentos mais defensivos por parte dos investidores, na sua maioria em mercados obrigacionistas e alternativos em detrimento de riscos elevados como as Small Caps e o HealthCare”.

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