Fundos mistos: as estratégias que as gestoras internacionais recomendam para investir em 2016


Os fundos mistos têm vindo a ganhar uma grande popularidade no mercado português ao longo dos últimos anos, mas também no resto da Europa. Tal como em anos anteriores, a Funds People realizou uma sondagem entre os máximos responsáveis das gestoras internacionais, para conhecer qual vai ser o fundo misto no qual estas entidades vão colocar mais ‘forcing’ no próximo ano. Das escolhas das entidades consultadas sobressaem produtos com a etiqueta ‘income’ ou outros que favorecem estratégias com o objetivo de rentabilidade e volatilidade.

Se Nuria Trio tivesse que optar por um dos produtos multiativos da gama da Amundi para 2016, a opção da diretora geral adjunta da gestora seria o Amundi Funds Multi Asset Global. “Oferece um enfoque multiativo global e diversificado para captar oportunidades, amortecendo ao mesmo tempo os shocks de volatilidade, bem como as quedas dos ativos de risco”, diz a responsável. O produto combina uma carteira core “de obrigações com estratégias que fornecem diversificação de forma a oferecer rentabilidades consistentes”, sendo gerida com um enfoque de orçamento de risco. “O controlo contínuo da carteira e os testes periódicos permitem reagir tanto às mudanças dos mercados como às mudanças de correlações entre classes de ativos. Trata-se de uma estratégia com um histórico em diferentes ciclos de mercado, que se apoia nos importantes recursos e experiência de um grande grupo”, diz. 

O fundo misto eleito por Aitor Jauregui, responsável de desenvolvimento de negócio da BlackRock para Portugal, Espanha e Andorra é o BGF Multi Asset Income Fund, um produto multiativo flexível, cujo principal objetivo é gerar rendimentos atrativos e consistentes. Segundo explica Jauregui, o fundo investe globalmente até dez classes de ativos diferentes dentro do universo das obrigações, ações, e alternativos, dando muita relevância à gestão do risco e à mitigação das quedas. O produto, desde o seu lançamento em junho de 2012, tem gerado um rendimento anual de 5,5%, refere o responsável.

Do Deutsche Asset & Wealth Management acreditam que 2016 não será diferente de 2015 quanto à complexidade do contexto de investimento. “Num contexto de taxas de juro livres de risco e próximas de zero, a procura de investimentos que forneçam valor à carteira vai continuar a ser a tónica geral do mercado. Voltaremos a olhar para a forma como o investidor terá que acrescentar risco à carteira caso queira obter um maior nível de rentabilidade. Neste contexto, aumentar o âmbito dos investimentos pode ser chave. Aqueles investidores que repartem os seus investimentos entre diferentes classes de ativos, regiões e sectores são os que estão melhor posicionados para fazer face à volatilidade e reduzir a sensibilidade perante possíveis quedas nos distintos mercados”, assinala Luis Ojeda. Por isso, o responsável do Deutsche AWM para Ibéria destaca o DWS Invest Concept Kaldemorgen, um fundo flexível com o objetivo de rentabilidade absoluta que investe tanto em ações, como em obrigações, divisas, ouro e outros instrumentos de mercado. A estratégia não está ligada à evolução de um índice de referência e trabalha com uma alocação dinâmica entre ações e obrigações, com uma visão de 360 graus dos mercados de capitais. “A equipa gestora, com uma dilatada experiência neste tipo de gestão, procura um perfil assimétrico de rentabilidade-risco comparado com as ações, para além de ter um objetivo de volatilidade não garantido de um só dígito. Por este motivo integra-se a análise e controlo do risco no processo de gestão, fazendo um seguimento estrito do orçamento de risco”.

Sebastián Velasco, diretor geral da Fidelity para Portugal e Espanha, opta como primeira opção pelo FF Global Multi Asset Income. O fundo investe em todas as classes de ativos geradoras de rendimentos a nível mundial, tendo por base a análise do panorama económico a cada momento. “Embora existam riscos nos ativos de dívida, o gestor continua a recordar a sua utilidade a longo prazo para os investidores interessados em obter rendimentos. Também é favorável em relação às ações que distribuem dividendos, enquanto que no que toca às regiões a preferência vai para os Estados Unidos, Europa excepto Reino Unido e Japão, mas sempre depois de existir uma cuidadosa discriminação mediante a análise fundamental de cada empresa em que investe”, assinala o responsável.

A grande aposta de Ramón Pereira em produtos multiativos para 2016 refere-se  aos fundos Franklin Diversified Funds, uma gama de três produtos multiativos que são geridos seguindo a filosofia de Risk Factor Investing, que – segundo explica o diretor geral da Franklin Templeton para Ibéria – carateriza-se por um exaustivo controlo do risco. “Os fundos são geridos dentro de um intervalo de volatilidade e objetivo de rentabilidade definidos explicitamente no objetivo de cada fundo, com um horizonte de três anos. Ambos os objetivos (volatilidade/rentabilidade) têm sido alcançados consistentemente desde o seu lançamento (2006), obtendo os três fundos um comportamento melhor do que a média da sua categoria em todos os períodos”. Dentro da gama destaca o Franklin Diversified Balanced, produto que se gere com um objetivo de volatilidade entre 5-8% de rentabilidade Euribor +3.5%. Atualmente o fundo favorece as ações face às obrigações, sobreponderando Europa e Japão face aos Estados Unidos.

A grande aposta de Javier Dorado, responsável da J.P. Morgan AM para Portugal e Espanha com vista ao próximo ano é o JPM Global Macro Opportunities Fund (conhecido anteriormente como JPM Global Capital Appreciation Fund). “É um fundo muti-ativo que segue um processo de investimento macro fundamental, no qual a equipa gestora trata de aproveitar as oportunidades geradas pelas diferentes conjunturas macroeconómicas em todo o mundo, combinando estratégias tradicionais e sofisticadas. Tem um comportamento histórico muito atrativo, com uma volatilidade em níveis moderados. Acreditamos que é uma boa aposta a manter em 2016 por se tratar de uma estratégia descorrelacionada com a evolução dos mercados, pelo que constitui um excelente elemento diversificador  para as carteiras de investimento”.

A grande aposta para o próximo ano de Laura Donzella, reponsável de Vendas da Nordea para Iberia e América Latina é o Nordea 1-Stable Return Fund. Entre as razões que a responsável enumera no sentido de se investir neste produto, está o facto de que, num contexto de rentabilidades ultra-baixas, com diversas classes de ativos próximas de máximos históricos em termos de valorização, as obrigações não oferecerem a proteção suficiente caso se enfrente um bear market. “Os investidores portugueses de perfil conservador podem contar com esta alternativa excepcional como base para a construção das suas carteiras sem terem de temer pela segurança das suas poupanças”, afirma. 

Com taxas de juro perto de zero e com escassas rentabilidades ao nível dos vencimentos, uma solução encontrada por Gonzalo Rengifo para obter rentabilidades superiores às obrigações com riscos razoáveis e proteção de capital passa por delegar a construção da carteira com a máxima flexibilidade num gestor que aloque os ativos globalmente e leve a cabo as decisões táticas, reagindo rapidamente às condições de mercado que estão constantemente a mudar. A grande aposta do diretor geral da Pictet AM para 2016 dentro dos fundos mistos é o Pictet Multi Asset Global Opportunities. “Carateriza-se pela descorrelação com outras classes de ativos, mediante uma ampla gama de ativos e instrumentos financeiros. A sua missão prioritária é proporcionar rendimentos satisfatórios e estáveis, captando na medida do possível o potencial de subida e limitando a possível queda”, explica.

A aposta para 2016 de Isabel Liniers, responsável de vendas para Portugal da Pioneer Investments, e Teresa Molins, diretora de Vendas de Clientes Institucionais, é o Pioneer Funds – Absolute Return Multi Strategy (ARMS). Trata-se de um fundo de retorno absoluto multi-estratégia, gerido com um processo enfocado em diversificar de forma diferente da tradicional, comum a toda a nossa gama de multi-ativos baseada em quatro pilares de investimento: Macro (estratégias macro que reflitam o cenário base), hedging (coberturas para os riscos com maior probabilidade e impacto neste cenário macro); satélite (estratégias que procuram descorrelação e seleção (dos instrumentos mais adequados (especialmente os de obrigações). “Ao tratar-se de um fundo de retorno absoluto, embora os quatro pilares sejam fundamentais, neste caso é de grande importância o pilar “satélite”, ao qual se aloca um orçamento de risco maior devido ao facto de investir em estratégias não direcionais como valor relativo, estratégias táticas e de curto prazo”, explicam. As principais caraterísticas do fundo são o objetivo de rentabilidade Eonia + 350/400 bps num ciclo de 3 anos; VaR máximo de 6%, máximo em ações de 50% e volatilidade média esperada de 4,5% (em condições normais de mercado).

“No contexto de mercado em que nos encontramos, e que se manterá ao longo de 2016, marcado por um crescimento lento acompanhado de períodos de volatilidade, acreditamos que é importante selecionar estratégias flexíveis que possam adaptar-se a diferentes contextos de mercado. Os fundos multi-ativos oferecem uma solução de investimento neste contextos, já que contam com um amplo leque de instrumentos de investimento para distintos perfis de risco”, afirma Carla Bergareche, responsável da Schroders para Ibéria. Da gestora consideram que o Schroder ISF Multi-Asset Allocation é uma boa opção. “Tem como objetivo gerar a maximização dos retornos, proporcionando uma rentabilidade atrativa de cerca de 4% superior ao valor em liquidez, ao longo de todo o espectro global de classes de ativos, num contexto de risco controlado”. Nos últimos três anos, o fundo tem gerado uma rentabilidade acumulada de 18,2%, com uma volatilidade média de 6,2%.

Juan Infante, responsável da UBS AM para Portugal e Espanha, assinala como melhor escolha, a gama oferecida pelo UBS (Lux) Key Selection SICAV – Global Allocation, um fundo com um universo mundial de categorias, dentro das ações e obrigações, usufruindo de ponderações flexíveis. “Gerido por Andreas Koester e Stefan Lecher é um fundo de gestão muito ativa. A quota de obrigações da carteira pode variar entre os 10% e os 100% (em média, no longo prazo, 40%) e a de ações entre 0% e os 90% (em média a longo prazo 60%). As divisas estrangeiras são, na sua maioria, cobertas relativamente à moeda de referência. No entanto, aplica-se uma estratégia ativa de divisas”, afirma o responsável. 

Empresas

Outras notícias relacionadas


Próximos eventos