Fundos mais defensivos: os únicos com crescimento patrimonial efetivo nos últimos dois anos


O mercado nacional tem sofrido mudanças nos últimos dois anos. De acordo com os dados publicados pela Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios –APFIPP - no seu primeiro relatório trimestral de 2015, nos últimos dois anos os ativos sob gestão dos fundos de investimento mobiliário (FIM) sofreram uma queda acima de 13%, passando de 13.090 para 12.005 milhões de euros.

Apesar da queda do património total, houve categorias em que a tendência foi contrária, porque a evolução do património acontece por duas vias: a da valorização dos ativos e através das captações. Analisando os últimos dois anos, verificamos que as captações líquidas acumuladas atingem cerca de 1.400 milhões de euros negativos, sendo essa a principal justificação para o 'encolhimento' do mercado nacional.

Segmentando o mercado em Fundos de Ações, de Obrigações, Monetário/Curto Prazo e os restantes fundos, observamos que destas quatro categorias apenas duas conseguem apresentar crescimento por via das captações, sendo elas as mais defensivas e preferidas historicamente pelo investidor português: Obrigações e Monetário/Curto Prazo.

No primeiro caso as captações líquidas acumuladas nos últimos dois anos atingem um saldo positivo muito próximo dos 150 milhões de euros, enquanto nos Monetários/Curto Prazo o valor é de 752 milhões. Para este crescimento nos fundos Monetários/Curto Prazo, em muito contribuiu os montantes subscritos no fundo Caixagest Liquidez. Este produto da Caixagest é o maior do mercado nacional, tendo aumentado o seu património em mais de mil milhões de euros em dois anos.

Ações com "comportamento misto"

Os fundos de ações no últimos dois anos evoluíram 21,25%, passando de um património de 978 para os 1.185 milhões de euros. Este crescimento aconteceu devido às rendibilidades que os fundos de ações registaram no período analisado, já que no último biénio o valor das captações líquidas é negativo, na ordem dos 35 milhões de euros. Categorias como "fundos de ações nacionais", fundos de ações América do Norte" ou "fundos sectoriais" foram as que mais rendibilidade obtiveram no período em análise, com uma valorização média superior a 10%.

A categoria restante foi aquela que assistiu a saídas de capital na ordem dos 2.250 milhões de euros. Nos últimos dois anos a categoria "Outros FIM" viu o seu património decrescer cerca de 31%, passando de 9.800 para 6.700 milhões de euros.

Evolução dos ativos sob gestão

(Para aumentar)

Fonte: APFIPP no final de março. Dados trimestrais.

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