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Fundos de distribuição de rendimentos, a grande tendência “silenciosa” na Europa


Se os fundos multiativos e as estratégias de asset allocation têm surgido como uma das principais tendências de investimento nos últimos dois anos – em 2014 captaram cerca de 120.000 milhões de euros na Europa segundo dados da Lipper Thomson Reuters – existe outra tipologia de fundos, que embora lentamente mas de forma segura, tem conseguido ganhar um espaço importante entre as preferências dos investidores: os fundos com distribuição de rendimentos.

Num contexto em que as obrigações já não são o que eram, e em que nem as obrigações high yield conseguem gerar retornos adequados, a obtenção de rendimentos periódicos e sustentáveis tornou-se numa das principais preocupações dos investidores, facto comprovado pelo facto de metade dos dez fundos mais vendidos no ano passado na Europa terem a etiqueta de ‘income’.

Segundo a análise realizada por Detlef Glow, responsável de análise para EMEA da Lipper, “nos últimos quatro anos esta categoria de fundos tem reunido grande parte das captações de fundos em ações”. Como se pode observar no gráfico abaixo, os fundos que distribuem rendimentos passaram de uma representação de 4,6% de entradas líquidas nos fundos de ações (cerca de 3.800 milhões de euros) em 2010, para 27,4% (mais de 16.800 milhões de euros) em 2014. “Em cada quatro euros investidos no ano passado na Europa em fundos de ações, mais de um euro dirigiu-se a produtos de distribuição de rendimentos”, sublinha o especialista.

Vendas líquidas estimadas de fundos de ações e fundos de distribuição de rendimentos (milhões de euros)

Fonte: Lipper Thomson Reuters

E porque é que esta tendência não se refletiu nas vendas totais? Glow explica que “ao contrário dos fundos multiativos, o universo de fundos de distribuição de rendimentos divide-se em várias categorias de produto”. E destaca que embora os fundos de distribuição de rendimentos globais tenham dominado as vendas líquidas nos últimos anos, os produtos de ações europeias têm vindo a ganhar peso desde 2013, e no ano passado superaram os fundos globais como a categoria de distribuição de rendimentos mais vendida (6.700 milhões de euros vs 6.100 milhões, respetivamente).

Esta tendência não surpreende Glow: “Os investidores procuram rendimentos e as empresas europeias oferecem elevadas rentabilidades por dividendo e distribuem o dividendo maioritariamente em cash, face ao que ocorre noutras regiões do mundo onde parte dos lucros costumam ser usados para fazer a recompra de ações ou para realizar outras ações empresariais, em vez de ser distribuído entre os acionistas”.

Vendas líquidas de fundos de distribuição de rendimentos por categoria de produtos (milhões de euros)

Fonte: Lipper Thomson Reuters

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