Franklin Templeton: os mercados asiáticos mostram sinais de estabilização


No último relatório mensal com perspetivas globais publicado pela Franklin Templeton Investments, alguns dos seus principais gestores - Christopher Molumphy, Michael Materasso, Roger Bayston, Michael Hasenstab e John Beck- oferecem a visão da gestora sobre as principais regiões do mundo. Parte da análise centra-se nos mercados asiáticos, sobre os quais concluem, primeiramente, que atualmente oferecem mais sinais de estabilidade do que há uns meses atrás.

O que se passa na China é bom para a Ásia

O primeiro país a ser analisado é a China. Os especialistas destacam o lado positivo de alguns dos dados oficiais publicados mais recentemente – o PMI de manufactura subiu em junho e as vendas de retalho e a produção industrial emitem sinais de estabilização – algo que atribuem ao mini pack de estímulos levado a cabo recentemente, considerando que “ajudou assegurar que o crescimento económico alcançava o objectivo governamental na ordem dos 7,5% ao ano”. Entre essas medidas estão por exemplo o corte no rácio de reservas para os bancos mais pequenos e os créditos concedidos pelo Banco Popular da China à banca comercial, bem como a redução das taxas de juro por causa da descida da comissão dos fundos monetários de mais de 6%, para menos de 5%. Para além do plano financeiro, o pacote de estímulos também se dirigiu aos pequenos negócios, ao sector da agricultura e a projetos de infraestruturas.

“Se for necessário , o Banco Popular da China poderá reduzir ainda mais os requisitos das reservas ou até mesmo ordenar aos bancos que emprestem dinheiro diretamente aos negócios. No entanto, achamos improvável que a China repita o enorme esforço feito entre 2009 e 2010, quando as autoridades lançaram um programa de estímulos de 4 triliões de ienes, para combater o impacto da crise financeira global”, indicam da gestora. Os especialistas afirmam que “os governantes chineses estão conscientes de que o enorme gasto que ocorreu naquela altura é a raiz de alguns dos problemas atuais do país”. Também acreditam que as autoridades chinesas estão conscientes de que um relaxamento das provisões dos bancos (em particular o rácio de créditos sobre os depósitos) pode colocar obstáculos ao objectivo governamental de reduzir a dependência da economia chinesa sobre o financiamento através da dívida.

Ainda assim a postura da equipa de especialistas da Franklin Templeton é positiva em relação às manobras que o Executivo de Xi Jinping está a desenvolver: “Esperamos que a China continue a adoptar uma abordagem comedida para elevar a economia, centrando-se em reformas estruturais para melhorar a qualidade e a sustentabilidade do crescimento, e para impulsionar o consumo doméstico durante o médio e longo prazo”. “Acreditamos que a combinação entre a crescente falta de mão de obra em alguns sectores e os investimentos produtivos em áreas como a tecnologia ambiental, os transportes ou as infraestruturas urbanas, poderão apoiar o crescimento”, acrescentem. Para além disso, da gestora americana afirmam que “o governo tem uma ampla capacidade para recapitalizar qualquer banco”.

Maior dinamismo político

“Da nossa perspetiva, a aparente estabilização da economia chinesa, que acontece a meio da recuperação dos EUA, são boas notícias para as outras economias asiáticas”, dizem da equipa de gestores. Consideram que desta forma se dissipam os temores em relação ao facto dos mercados emergentes se poderem ressentir face a uma redução da liquidez global. “Contrariamente, a forte e contínua liquidez global e as rentabilidades que consideramos atrativas, indicam que muitos investidores assumiram posições curtas e apoiaram as obrigações e moedas asiáticas”, explicam.

Outro factor que também consideram positivo são os sinais de dinamismo político noutras grandes nações da região, em particular a Índia e o Japão. Na Índia destacam as reformas do primeiro ministro Narendra Modi ao revisar as leias de adquisição de terras. já no japão, centram-se nas atualizações sobre as reformas estruturais realizadas pelo gabinete de Shinzo Abe no passado mês de junho, nas quais se enfatizou o esforço posto sobre a “terceira flecha”. Por exemplo, a intenção de diversificar os investimentos do Plano de Pensões do Governo, o maior plano de pensões do mundo: Abe pretende investir os seus prémios, já que mais de metade estão atualmente em dívida nipónica, que oferece um rendimento muito baixo. 

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