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Fitch evidencia desconfiança dos investidores sobre covered bonds nacionais


No último ‘Credit Market Research” publicado pela Fitch, a empresa de notação financeira realizou um inquérito aos gestores de ativos* para tentar perceber a tendência de investimento em relação às covered bonds. Em traços gerais, no final do ano passado dois terços dos inquiridos responderam que estavam a migrar os seus ativos para obrigações hipotecárias como resposta ao QE lançado pelo Banco Central Europeu. De acordo com a Fitch esta tendência, contudo, pode ter uma leitura distinta, e relacioanar-se com a menor afluência de respostas, já que em 2014 foram 52 as instituições a responder, enquanto que em 2015 apenas chegaram à fala com 35.

Segundo a Fitch, a “inércia nos investimentos dos portfólios impede que haja uma mudança drástica na alocação dos ativos”.  A maior parte dos entrevistados admite que é provável que mantenha a sua carteira praticamente inalterada no que toca ao investimento em covered bonds (41%) nos próximos 12 meses, enquanto que 37% fala na intenção de diminuir a presença deste ativo nos portfólios. São apenas 22% dos inquiridos que equacionam aumentar de alguma forma o investimento feito em covered bonds nos próximos 12 meses.

Olhar para Portugal com desconfiança

As diferenças acentuam-se mais ainda quando as opções geográficas são colocadas ao “barulho”. O estudo da Fitch mostra que no que toca ao investimento para os próximos 12 meses, o Reino Unido é a região onde pensam aumentar mais a alocação a obrigações hipotecárias.

Em terreno oposto surgem Portugal, a Holanda e a Alemanha. Os investidores mostram-se portanto relutantes quanto às covered bonds dos três países, sendo a Alemanha a enfrentar piores intenções agregadas dos investidores quanto a estes ativos (ver gráfico abaixo).  Apenas 10% dos questionados pondera aumentar o investimento em covered bonds nacionais no próximo ano, enquanto que a intenção de diminuição da presença deste ativo em carteira chega aos 20%.  70%, por seu turno, pretende manter uma exposição estável às obrigações hipotecárias portuguesas.

Outro dos pontos em análise foram os critérios que os investidores mais privilegiam na hora de escolher covered bonds. A transparência da informação é o ponto mais mencionado pelas entidades ouvidas pela  Fitch. Também a jurisdição onde os investidores se sentem “mais confortáveis” foi tema de análise, e, neste ponto, Portugal volta a atingir uma classificação pouco favorável.  Os investidores têm mais confiança em países como a Holanda, o Reino Unido e a região da Escandinávia, ao passo que Portugal, a Grécia e a região da Europa de Leste são tidas como áreas onde se sentem “menos confortáveis” no que toca a este tipo de investimento  (ver gráfico abaixo)

 

* Inquérito realizado a entidades da Europa, América Latina e Ásia-Pacífico

 

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