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Fidelity: correção a meio do ano e recuperação no final de 2014


É provável que se produza uma ligeira correção dos mercados no curto prazo para a realização de mais valias em 2013 e para que se consolide a ruptura de subida. Assim, até ao final do ano, voltará a “brilhar” a tendência de subida de longo prazo refletida pelos mercados. Em síntese, este é o prognóstico de Jeff Hochman, diretor de análise técnica e membro do grupo de alocação de ativos da Fidelity Worlwide Investment, que explica que “no passado existiram períodos de correção de um a três anos (em meados da década de 40, e no começo da década de 80) após o termino de um longo período de mercados em queda”. 

Jeff  Hochman apresenta como referência o índice composto do Modelo do Ciclo, já que considera que foi um indicador muito eficaz na hora de prever as tendências gerais de mercado desde a década de 1920, e especialmente durante os últimos cinco anos.  O especialista afirma que os ciclos de quatro e dez anos devem dominar em 2014, e prevê um movimento plano ou de queda durante o segundo ou terceiro trimestre, seguido de um quarto trimestre de subidas. “Se se desencadear uma correção ou retrocesso em 2014, esse processo deverá começar durante os próximos meses”, prevê. 

“Embora obviamente existam atualmente sinais de efervescência, como é o caso das OPV e dos PER dos títulos biotecnológicos e tecnológicos, o mercado já não é igual àquele que existia em 1987 ou 1999”, continua o especialista. Jeff Hochman  considera que a desaceleração nos principais indicadores de crescimento dos G7 “cria o contexto macroeconómico para justificar um cenário de consolidação”. O responsável afirma que “apesar da possível pausa na tendência de subidas durante os próximos 15 meses, as bolsas dos EUA e da Europa vão continuar com o seu movimento de longo prazo, provavelmente em detrimento das matérias primas, que previsivelmente se vão mover lateralmente ou em queda, durante os próximos anos”. 

Dúvidas razoáveis nas ações

Tendo em conta que o mercado de ações mundial tem na sua composição 85% de valores europeus e norte-americanos, salienta-se que os EUA lideram o movimento de subidas a longo prazo em ações mundiais graças à recuperação da economia norte-americana, mas também por causa da abundante liquidez proporcionada pela Reserva Federal e, em menor medida, devido ao crescente otimismo em relação à recuperação europeia. 

“No entanto, mesmo que as ações dos mercados desenvolvidos tenham recuperado os níveis anteriores à crise financeira, as perspetivas continuam a ser incertas a curto prazo”, adeverte Jeff Hochman. A este nível dá como exemplo o caso do mercado japonês, sobre o qual afirma que o seu aspecto técnico se deteriorou mais do que o previsto no primeiro trimestre depois dos fluxos de saída de capitais do país, devido à preocupação vinda do aumento do IVA nipónico de 5% para 8%. “Se as perspetivas se debilitarem poderemos assistir a quedas entre 5% e 10% no mercado japonês”, prevê o diretor de análise técnica. 

Outro ponto analisado pelo especialista no seu relatório é a ausência do ansiado crescimento dos lucros, que foi estabelecido como requisito para que os mercados mantivessem o  seu impulso de subida, que, até agora, tem sido alimentado exclusivamente pela expansão dos múltiplos. A previsão de consenso de mercado é um crescimento de dois dígitos dos EPS em 2014. Na perspetiva do responsável da Fidelity esta previsão “continua a ser muito otimista e contrasta fortemente com a postura dos analistas fundamentais, que continuam a rever em baixa os preços das ações em todas as regiões, menos no Japão”.

“A falta de lucros aparentes e, em muitos casos, a falta de crescimento da receita,  continuam a ser um risco chave nas bolsas em 2014”, explica o especialista. “As avaliações têm sido revistas em alta nos mercados desenvolvidos, que agora mostram PER mais altos e estão em níveis que se movem entre razoáveis e caros, dependendo do ponto de vista de cada investidor”, acrescenta. 

O responsável da Fidelity constata que depois de um grande 2013 em que os selecionadores de títulos beneficiaram da queda da volatilidade e da dispersão dentro dos sectores, agora essa dispersão de avaliações caiu, complicando a seleção de títulos. Jeff Hochman dá vários exemplos de sectores onde a gestora americana encontra oportunidades. Entre os mais atrativos estão o da saúde, o tecnológico, mas em ambos os casos a sua evolução foi muito seguida pelos investidores. “Mas agora que a dispersão intrasectorial é baixa, existem grandes oportunidades do ponto de vista da seleção em sectores como o dos bens de consumo duráveis e de serviços financeiros, assim como em sectores que têm um recomendação de venda para o consenso de mercado, como  é o caso do consumo básico e da energia”, indica o especialista. 

Outro dos segmentos onde o investidor pode encontrar oportunidades, do ponto de vista de Jeff Hochman, é o das empresas que pagam dividendos sustentáveis, já que considera que os dividendos são cruciais para gerar rendimentos totais ao longo do tempo. “O incrível efeito de capitalização é o ingrediente mais importante para os ganhos em bolsa a longo prazo e nenhum outro factor se aproxima da capacidade para impulsionar as rentabilidades que os dividendos têm à medida que se vão capitalizando ao longo do tempo”, explica o diretor de análise técnica. É por isso que afirma que “ter em carteira títulos que aumentem os dividendos será numa combinação vencedora, especialmente em anos como o atual (2014), quando estamos perante uma mudança no mercado e uma consolidação da tendência de subida". 

Tendência nos mercados emergentes

Jeff Hochman também dedica umas linhas da sua análise ao estudo das tendências nos mercados emergentes. Para começar, constata que foram poucos os sinais técnicos de que estas bolsas tenham reduzido as desvantagens em relação aos mercados desenvolvidos. O especialista da Fidelity dá conta da grande divergência que é denotada quando se observam estes mercados em termos absolutos (as perdas ascenderam a 6% em dólares desde os máximos relativos, face à situação em Wall Street, em setembro de 2010), e em termos relativos, onde se observa que a trajetória é descendente, embora isto seja aplicável a grandes títulos, pois nos pequenos constata que tem existido um bom comportamento. Assim o especialista entende que as small caps dos emergentes têm oportunidades pela frente. 

Jeff Hochman termina com uma previsão sobre a evolução das taxas de juro a curto prazo. Embora acredite que as taxas vão continuar em níveis baixos durante 2014, enfatiza que “será importante estar atento à medida que o ano avance, perante o aparecimento dos primeiros sinais de subidas das taxas”. O especialista acredita que as taxas de longo prazo nos EUA vão acabar por alcançar os 4%, mas avisa que “que isso pode demorar mais tempo do que aquilo que se pensava anteriormente”. “Neste sentido o spread bid-offer a 12 meses está a ser posto à prova, tanto nos EUA, como na zona euro”, conclui. 

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